O pequeno Gael Henrique Soares, de apenas dois anos, morador do Jardim Belém, em Suzano, está internado em estado grave no Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, desde a última sexta-feira (16). A criança aguarda transferência urgente para uma unidade hospitalar com UTI infantil, após ser diagnosticada com miocardite aguda grave, condição que provocou aumento significativo do coração e já levou o menino a sofrer duas paradas cardíacas nas últimas horas.
A transferência depende do Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo (SIRESP), antigo CROSS. Segundo a família, apesar de haver hospitais de referência com possível disponibilidade, a remoção ainda não ocorreu por falta de ambulância adequada e liberação oficial do sistema.
Nas redes sociais, a mãe do pequeno, Dalva Soares de Oliveira, de 30 anos, tem feito apelos por ajuda e urgência na transferência. Ao portal HojeDiario.com, Dalva relatou que os primeiros sintomas surgiram na última quarta-feira (14), quando Gael passou a sentir fortes dores, apresentar vômitos, sudorese fria, palidez, prostração e dificuldade para ficar em pé.
“Meu filho não brincava, não comia, não conseguia ficar em pé. Ele vomitava, suava frio, estava muito abatido. Eu levei ele na Unidade de Pronto Atendimento [UPA] Revista, em Suzano, porque vi que ele não estava bem”, contou a mãe.
Segundo ela, na primeira unidade de saúde, foram solicitados exames de sangue e um raio-X. No entanto, após horas de espera, apenas os exames laboratoriais teriam sido avaliados. “A médica não olhou o raio-X. Disse que era garganta inflamada, passou antibiótico e mandou a gente para casa”, relatou.
Com a piora do quadro durante a mesma madrugada, Dalva procurou atendimento no ambulatório infantil do Hospital Municipal de Mogi das Cruzes, no dia seguinte. “A médica pediu os mesmos exames, disse que o raio-X tinha ficado ruim e que não precisava repetir. Falou que o que meu filho tinha era gases, passou um probiótico e disse que não havia infecção nenhuma no sangue dele”, disse.
Mesmo após seguir as orientações médicas, Gael não apresentou melhora. No dia seguinte, a criança estava sob os cuidados da tia, profissional da área da saúde, que percebeu sinais graves. “Ela viu que ele estava com o coração acelerado, respirando muito rápido, muito prostrado, pálido, apático, suando frio. Na mesma hora, a gente correu novamente com ele para o ambulatório de Mogi das Cruzes”, disse a mãe.
Desta vez, Gael foi atendido por outro médico, que revisou o raio-X realizado anteriormente. “Quando ele olhou o exame, percebeu que o coração do meu filho estava aumentado. Na mesma hora, ele encaminhou para a emergência e começou o atendimento”, contou Dalva. Com a troca de plantão, o caso passou a ser acompanhado por outro profissional que, segundo a família, se mobilizou para garantir a internação imediata no Hospital Luzia de Pinho Melo.
Desde então, Gael permanece internado no Luzia de Pinho Melo e, de acordo com a mãe, apesar do acolhimento e dos esforços da equipe médica, a unidade não possui estrutura especializada para o caso. “Eles estão cuidando bem dele, acolheram meu filho quase sem vida, mas aqui não tem cardiologista pediátrico todos os dias, não tem UTI cardíaca infantil. Ele precisa ser transferido com urgência”, afirmou.
A família informou que entrou em contato com hospitais de referência, como o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, situado na capital paulista, e foi informada de que haveria possibilidade de vaga, dependendo apenas da transferência. “Disseram que só precisava de uma ambulância para levar ele, mas até agora isso não aconteceu. Cada minuto que passa é um risco maior para a vida do meu filho”, desabafou à reportagem, em prantos.
A reportagem do portal HojeDiario.com contatou a Prefeitura de Suzano, que declarou em nota que a criança foi atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento e classificada como verde pelo Protocolo de Manchester, utilizado para priorizar casos conforme a gravidade. Durante o atendimento, foram realizados exames físicos, laboratoriais e radiografia de tórax, que apontaram sinais de processo inflamatório ou infeccioso.
O paciente recebeu prescrição de antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos, corticoide e anti-histamínico, além de orientações de uso de inalação e pomada tópica. A família foi instruída a retornar caso o quadro se agravasse, o que não ocorreu, e nenhum procedimento de investigação interna foi aberto pela unidade.
A reportagem também procurou a Prefeitura de Mogi das Cruzes e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo para esclarecimentos sobre os atendimentos prestados e sobre a transferência do paciente. A Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) informou que a transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia foi autorizada na quarta-feira (21) e que a unidade de origem é responsável pelo transporte do paciente.
Até o fechamento da reportagem, não houve retorno da Prefeitura de Mogi das Cruzes.
A matéria segue em atualização.



