PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

Fiocruz vai testar injeção de prevenção ao HIV em sete cidades para avaliar inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS); confira quais

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai realizar testes com uma injeção semestral que previne o HIV com eficácia próxima de 100% em sete cidades brasileiras, visando avaliar a possibilidade de incorporação da tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento, chamado lenacapavir, recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 12 deste mês, mas ainda não está disponível no Brasil.
Comercializado sob o nome Sunlenca, o fármaco foi desenvolvido pela farmacêutica Gilead Sciences e autorizado para uso como profilaxia pré-exposição (PrEP). A indicação é para pessoas que não vivem com HIV, com mais de 12 anos de idade e peso superior a 35 quilos.

Atualmente, o SUS já oferece a PrEP desde 2017, por meio de comprimidos de uso diário. Apesar da alta eficácia na prevenção da infecção, a necessidade de ingestão diária pode dificultar a adesão ao tratamento. Ainda não há definição sobre o lançamento nem sobre o preço do lenacapavir no país. Antes disso, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) deverá estabelecer o valor máximo de comercialização.

A inclusão no SUS dependerá da análise da Comissão nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e da avaliação do Ministério da Saúde. Como parte desse processo, a Fiocruz lançou, em 1º de dezembro do ano passado (Dia Mundial da Luta contra a Aids), o estudo ImPrEP LEN Brasil. A pesquisa é financiada pela Unitaid, conta com apoio do Instituto nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e do Ministério da Saúde, além da doação do medicamento pela Gilead Sciences. Nesta fase inicial, o lenacapavir será disponibilizado no âmbito do estudo em serviços públicos de saúde de sete municípios: Rio de Janeiro (RJ), Nova Iguaçu (RJ), São Paulo (SP), Campinas (SP), Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Manaus (AM). O projeto está na etapa final de preparação e deve iniciar em breve a inclusão dos participantes. Informações adicionais podem ser consultadas no site https://imprep.org/.

O estudo é direcionado a grupos considerados mais vulneráveis à exposição ao HIV, como gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens cisgênero, além de pessoas transgênero e não binárias designadas do sexo masculino ao nascer, com idades entre 16 e 30 anos, tenham ou não utilizado outras formas de PrEP anteriormente.

Em julho do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o lenacapavir como parte da estratégia de prevenção combinada ao HIV, que envolve diferentes métodos, como uso de preservativos, testagem e PrEP. Na ocasião, a OMS classificou a iniciativa como “uma ação política histórica capaz de remodelar a resposta global ao HIV”. Globalmente, a Gilead anunciou acordos com fabricantes para a produção e comercialização de versões genéricas do medicamento em 120 países com alta incidência de HIV e recursos limitados, principalmente de média e baixa renda.
A venda, no entanto, depende da aprovação das agências reguladoras locais.

O Brasil ficou fora desses acordos, assim como outros países da América do Sul, Ásia e Europa. A exclusão foi alvo de críticas de pesquisadores da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, responsáveis por um estudo que estimou que o medicamento poderia ser comercializado por apenas 25 dólares e ainda gerar lucro.