Atenção: caminhoneiros articulam greve em todo o Brasil nas próximas horas devido à alta do diesel

Caminhoneiros de diferentes regiões do país avançam na organização de uma paralisação nacional motivada pelo aumento do preço do diesel. A mobilização tende a ganhar força nas próximas horas, com possibilidade de adesão ampliada entre trabalhadores do transporte rodoviário.
O movimento reúne caminhoneiros autônomos e profissionais contratados sob o regime CLT. Segundo o presidente da ABRAVA (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, o Chorão, a articulação envolve entidades regionais, cooperativas e transportadoras, com o objetivo de ampliar a adesão em todo o país.

Apesar de ainda não haver uma data única definida para a paralisação nacional, lideranças da categoria indicam que a decisão de interromper as atividades já foi tomada. As discussões agora se concentram na definição de um calendário conjunto que permita maior participação.

Em São Paulo, o Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista e Vale do Ribeira informou que a paralisação nos portos está prevista para começar às 15h desta quarta-feira (18). Já em Santa Catarina, a interrupção das atividades deve ocorrer na quinta-feira (19), também em reação ao encarecimento do combustível.

Nos últimos dias, representantes dos caminhoneiros participaram de reuniões com integrantes da Secretaria-Geral da Presidência, do Ministério dos Transportes e da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). O governo federal acompanha o avanço das mobilizações e mantém monitoramento constante do cenário.

Entre os principais pontos de insatisfação está o impacto considerado limitado das medidas anunciadas para reduzir o preço do diesel. Após a divulgação de um pacote com redução de tributos, a Petrobras reajustou o valor do combustível nas refinarias, o que, na avaliação da categoria, acabou anulando os efeitos esperados.

Wallace Landim destacou que as ações adotadas até o momento não resultaram em redução efetiva dos custos e defendeu a implementação de medidas mais eficazes que garantam previsibilidade ao setor. Ele também apontou a existência de mobilizações em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Distrito Federal e Goiás.
De acordo com os caminhoneiros, o cenário atual compromete a viabilidade da atividade, especialmente diante da dependência de importações, que representam entre 20% e 30% do diesel consumido no Brasil, fator que contribui para a pressão sobre os preços.

No dia 12 de março, o governo federal anunciou um pacote emergencial que incluiu a zeragem de PIS e Cofins sobre o diesel, além da criação de um subsídio que pode acrescentar R$ 0,32 por litro a produtores ou importadores que venderem o combustível abaixo de um valor definido. A estimativa indicava uma possível redução de até R$ 0,64 por litro em alguns casos.
No dia seguinte, a Petrobras elevou o preço do diesel A em R$ 0,38 por litro nas refinarias, atribuindo o reajuste à alta do petróleo no mercado internacional, influenciada por conflitos no Oriente Médio.

Além da questão do combustível, a categoria cobra o cumprimento da lei que instituiu a política nacional de pisos mínimos do frete. Segundo lideranças, a falta de fiscalização permite a prática de valores abaixo do mínimo estabelecido.
Os caminhoneiros também defendem medidas para reduzir custos operacionais, como a garantia do pagamento do frete mínimo e a isenção de pedágio para veículos que trafegam sem carga.

A ABRAVA reúne cerca de 35 mil caminhoneiros. Estimativas do setor apontam que o Brasil possui aproximadamente 790 mil caminhoneiros autônomos e cerca de 750 mil profissionais contratados sob o regime CLT.

Antes mesmo do anúncio das medidas econômicas, o governo federal já acompanhava sinais de mobilização. Integrantes da Casa Civil procuraram lideranças da categoria na segunda-feira (16) para discutir a situação.
Mesmo com a retomada do diálogo, há desconfiança entre os caminhoneiros sobre avanços concretos nas negociações. Para os autônomos, que arcam diretamente com custos como combustível, manutenção e pedágios, a combinação de diesel caro e fretes pressionados tem dificultado a continuidade das atividades e impulsionado a articulação da paralisação.

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