O assassinato de Isabelly Joana Silva de Santana, de 20 anos, voltará à atenção pública no próximo dia 26 de março, quando o réu Yan Oliveira França irá a júri popular, em Suzano. A jovem, estudante de Medicina Veterinária e estagiária em uma prefeitura da região do Alto Tietê, foi morta em maio de 2025. O caso comoveu a cidade e expôs, mais uma vez, a brutalidade da violência contra a mulher.
Segundo a acusação, Isabelly foi atacada pelo ex-namorado na rua Biotônico, no bairro Vila Urupês, quando voltava de uma aula de pilates. Ela foi atingida por um golpe de faca, chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Após o crime, o acusado foi localizado nas proximidades e preso. O caso foi registrado como feminicídio e agora avança para a etapa em que a sociedade, representada pelos jurados, irá decidir sobre a responsabilidade do réu pela morte da jovem.
Ao portal Hoje Diário, o advogado da família da vítima, Euclides Teodoro de Oliveira Neto, que atuará como assistente de acusação no Tribunal do Júri, afirmou que o réu já foi pronunciado pela Justiça. Isso significa que o juiz reconheceu a existência do crime e a presença de indícios suficientes de autoria para que o caso seja submetido a julgamento popular.
De acordo com o advogado, o réu será julgado por feminicídio qualificado. Entre as qualificadoras que serão analisadas pelos jurados estão o meio cruel, o recurso que dificultou a defesa da vítima e o contexto de violência doméstica e familiar, em razão do relacionamento que existiu entre autor e vítima.
Às vésperas do júri, a mãe de Isabelly, Maria Aparecida Silva, reforça o pedido por justiça. Segundo ela, a jovem viveu um relacionamento marcado por sofrimento, perseguição e sinais de comportamento abusivo. Isabelly teria decidido encerrar a relação, mas o ex-namorado não aceitou o término e continuou a cercá-la, em um contexto que, para a família, antecedeu o crime.
Aos 20 anos, Isabelly cursava o quinto semestre de Medicina Veterinária, fazia estágio na Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos, era dedicada aos estudos e ligada à causa animal.
Para a família, o julgamento representa mais do que a responsabilização criminal do acusado. É também um momento de memória, de enfrentamento da dor e de afirmação de que a vida de Isabelly não pode ser reduzida a mais um caso nas alarmantes estatísticas da violência contra a mulher. Em 2025, 1.470 mulheres foram mortas vítimas de feminicídio no Brasil. Em média, quatro mulheres foram assassinadas por dia, segundo dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgados em janeiro de 2026.
O júri popular está marcado para o dia 26 de março.




