O ator Juca de Oliveira morreu na madrugada deste sábado (21), aos 91 anos, em São Paulo, após permanecer oito dias internado em um hospital privado. Ele estava com a saúde fragilizada em razão de uma pneumonia associada a problemas cardíacos.
Com uma trajetória consolidada nas artes cênicas, Juca construiu uma carreira de mais de quatro décadas, com participação em mais de 30 novelas e minisséries, cerca de 60 peças de teatro e diversos filmes. Seu trabalho marcou diferentes gerações, tanto nos palcos quanto na televisão, onde interpretou personagens de destaque.
José Juca de Oliveira Santos nasceu em 16 de março de 1935, na cidade de São Roque, no interior de São Paulo. Iniciou sua trajetória artística na década de 1950. Antes disso, chegou a cursar Direito na Universidade de São Paulo (USP) e trabalhou em um banco, mas decidiu abandonar a área para se dedicar à formação na Escola de Arte Dramática.
No início da carreira, integrou o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde atuou ao lado de Aracy Balabanian e participou de montagens como “A Semente”, de Gianfrancesco Guarnieri, e “A Morte do Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller.
Durante a década de 1960, passou a administrar o Teatro de Arena em parceria com nomes como Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Paulo José e Flávio Império. Por sua ligação com o Partido Comunista Brasileiro, acabou sendo perseguido pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar e se exilou na Bolívia.
Após retornar ao Brasil, participou da novela “Quando o Amor É Mais Forte” (1964), exibida pela TV Tupi. Sua estreia na TV Globo ocorreu em 1973, na novela “O Semideus”, em que interpretou o personagem Alberto Parreiras.
O ator também teve passagens por outras emissoras, como a TV Bandeirantes, onde atuou em “A Idade da Loba”, e o SBT, integrando o elenco de “Os Ossos do Barão”. Em 1993, voltou à Globo com “Fera Ferida” e, posteriormente, participou de “Torre de Babel”.
Um de seus papéis mais conhecidos foi o do Doutor Albieri, na novela “O Clone”, da TV Globo, exibida em 2001 e escrita por Gloria Perez. Na trama, seu personagem foi responsável pela criação de um clone humano interpretado por Murilo Benício.
Ao longo da carreira, também esteve em produções como “Saramandaia” (1976), “Espelho Mágico” (1977), “Fera Ferida” (1993-1994) e “Flor do Caribe” (2013).
Seu último trabalho na televisão foi na novela “O Outro Lado do Paraíso” (2018), quando interpretou Natanael. Nos anos mais recentes, manteve-se afastado da TV e passou a se dedicar ao teatro e à vida em sua fazenda.




