“Feminicídio: Quando a violência rompe o silêncio”, por Larissa Ashiuchi

Os números recentes sobre feminicídio no Brasil não são apenas estatísticas, são histórias interrompidas, famílias destruídas e um alerta urgente para toda a sociedade. Dados divulgados no início de 2026 mostram um cenário alarmante: 2025 registrou o maior número de mortes já contabilizado, e os primeiros meses deste ano seguem em alta. Apenas em janeiro, os processos cresceram 3,49%, e, nos últimos cinco anos, praticamente triplicaram. Ainda que haja mais julgamentos, o que demonstra resposta institucional, também revela o aumento da violência.

Quando olhamos para o perfil desses crimes, a dor se aprofunda. Em oito a cada dez casos, o agressor é o parceiro ou ex-parceiro, pessoas que tiveram o afeto e a confiança dessas vítimas. Mas por que ainda avançamos pouco diante de um problema tão grave e com tantas ferramentas jurídicas disponíveis?

A resposta passa, inevitavelmente, por uma reflexão que vai além das estruturas formais, que é se questionar que tipo de sociedade estamos construindo. Ainda convivemos com uma cultura machista que naturaliza o controle, o ciúme e a ideia de posse sobre a mulher. Soma-se a isso a desigualdade, as tensões sociais e, muitas vezes, a incapacidade de romper ciclos de violência mesmo quando sinais de alerta já estão presentes.

É preciso dizer, com clareza, que o enfrentamento ao feminicídio não é apenas responsabilidade das mulheres. É, sobretudo, um compromisso dos homens. Está na forma como nós, enquanto sociedade, educamos nossos meninos, nos exemplos que damos dentro de casa, no respeito que ensinamos desde cedo. É no combate diário a piadas, comportamentos e discursos que reforçam a desigualdade. Prevenir começa muito antes da violência se concretizar.

Que a memória da policial militar Gisele Alves Santana e da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, nos toque profundamente. Duas mulheres que dedicaram suas vidas à proteção do próximo, mas que, mesmo assim, foram vítimas da violência que combatiam. Que suas histórias não sejam apenas lembradas com dor, mas transformadas em um chamado à ação, para que nenhuma outra mulher tenha sua vida interrompida pelo feminicídio.

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal HojeDiario.com).

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE