Uma mulher de 22 anos foi presa no último domingo (12), em São Luís, no estado do Maranhão, após ser apontada pela Polícia Civil como participante indireta do ataque ocorrido dias antes na Escola Municipal Professora Ignez de Castro Almeida Mayer, no bairro Cidade Boa Vista, em Suzano. As investigações indicam que ela manteve contato frequente com o autor da ação e teria contribuído para o planejamento do crime.
O crime aconteceu na tarde de terça-feira (07), quando um ex-aluno de 18 anos invadiu a escola após pular o muro, levando um facão. Ao tentar entrar em uma sala de aula, foi contido por uma professora. Durante a ocorrência, a docente ficou ferida nas mãos e precisou ser levada ao hospital.
Enquanto funcionários conseguiam imobilizar o jovem, um professor acionou o botão de pânico da unidade. Equipes da Polícia Militar e da GCM (Guarda Civil Municipal) de Suzano chegaram cerca de quatro minutos após o início da ocorrência. Segundo os agentes, o rapaz relatou que pretendia atingir o maior número possível de crianças presentes na escola.
A mulher detida no estado do Maranhão mantinha conversas com o autor do ataque por meio de redes sociais, como Instagram e grupos no Discord. Nessas interações, ambos compartilhavam conteúdos de incentivo à violência e manifestações racistas. De acordo com a investigação, ela teria estimulado o jovem a colocar o plano em prática.
O trabalho que levou à identificação e à prisão da mulher foi conduzido pelo NOAD (Núcleo de Observação e Análise Digital), vinculado à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, com apoio de uma agência investigativa do DHS (Departamento de Segurança Interna) dos Estados Unidos.
Os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão foram autorizados pela 1ª Vara de Garantias da Justiça de São Paulo, em Guarulhos.
Conforme a Polícia Civil, além de incentivar o ataque em Suzano, a mulher também demonstrou, nas conversas analisadas, interesse em realizar ações semelhantes no estado do Maranhão. As investigações apontam ainda que a pessoa envolvida mantinha comportamento recorrente de disseminação de discurso de ódio nas redes sociais, incluindo trocas de mensagens de teor racista com o agressor e outros usuários. Em uma das conversas, mencionou trabalhar como cuidadora de uma criança negra e indicou a intenção de matá-la.


