A partir de maio, entra em vigor no Brasil a atualização da NR-1, que passa a exigir das empresas atenção aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Na prática, isso significa que fatores como estresse, pressão excessiva, assédio e sobrecarga passam a fazer parte da responsabilidade direta das organizações.
O objetivo é legítimo: proteger a saúde mental dos trabalhadores e promover ambientes mais saudáveis. Mas essa mudança levanta uma reflexão importante que pouca gente está fazendo.
Quem cuida da saúde mental do empresário?
No Brasil, especialmente entre pequenos e médios negócios, o empresário já convive com uma rotina de alta pressão: carga tributária elevada, dificuldade de crédito, instabilidade econômica, burocracia e responsabilidade direta sobre empregos e resultados.
Agora, além de gerir o negócio, ele também passa a responder formalmente por aspectos emocionais e psicológicos da equipe.
É um avanço necessário? Sim.
Mas também é um aumento de responsabilidade que precisa ser discutido com equilíbrio.
O risco está em transferir mais obrigações sem oferecer as condições adequadas para que elas sejam cumpridas. Porque, na prática, muitos empresários não têm estrutura, conhecimento ou suporte para lidar com essa nova demanda.
E quando a exigência cresce sem preparo, o que acontece? Mais insegurança jurídica.
Mais custo operacional.
Mais pressão sobre quem já está no limite.
A saúde mental no trabalho precisa ser tratada como prioridade. Mas isso não pode ignorar a realidade de quem empreende.
Empresas saudáveis dependem de pessoas saudáveis.
Mas também dependem de empresários equilibrados, com condições reais de gestão.
O caminho está no meio.
Mais consciência, mais preparo, mais gestão e menos transferência unilateral de responsabilidade, o Governo cria normas e quem paga a conta são os pequenos e médios empresários no Brasil.
Gosto sempre de frisar são esses pequenos e médios empresários que geram 7 de cada 10 empregos formais no nosso país.
Porque no final, quando o empresário adoece, a empresa para.
E quando a empresa para, o impacto atinge todos.
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal HojeDiario.com).




