Nas últimas semanas, a vacina contra o HPV voltou a ganhar destaque na imprensa e nas redes sociais. O motivo é positivo: o Brasil tem intensificado as campanhas para aumentar a cobertura vacinal e reduzir a incidência de diversos tipos de câncer relacionados ao vírus.
O HPV (Papilomavírus Humano) é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns do mundo. Estima-se que a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus em algum momento da vida. Na maioria dos casos, a infecção desaparece espontaneamente. No entanto, quando persiste, pode levar ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.
O mais conhecido é o câncer do colo do útero, mas o HPV também está relacionado aos cânceres de ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe, além de causar verrugas genitais.
A boa notícia é que existe uma forma segura e eficaz de prevenção: a vacinação. Quanto mais cedo ela é realizada, antes do contato com o vírus, maior é a proteção. Por isso, a recomendação é vacinar crianças e adolescentes na faixa etária indicada pelo Programa Nacional de Imunizações.
Diversos estudos realizados ao redor do mundo já demonstraram resultados impressionantes. Países que alcançaram altas taxas de vacinação observaram uma redução expressiva das infecções pelo HPV, das lesões pré-cancerosas e já começam a registrar queda na incidência do câncer do colo do útero entre as gerações mais jovens.
É importante esclarecer que a vacina não estimula o início precoce da vida sexual, como alguns mitos sugerem. Seu objetivo é exclusivamente proteger contra um vírus capaz de causar doenças graves muitos anos depois da infecção.
Como oncologista, vejo diariamente o impacto que o câncer causa na vida dos pacientes e de suas famílias. Por isso, sempre reforço que prevenir continua sendo muito melhor do que tratar. A vacina contra o HPV representa uma oportunidade real de evitar milhares de casos de câncer nas próximas décadas.
A ciência já mostrou o caminho. Cabe a nós aproveitar essa oportunidade e garantir que nossos jovens estejam protegidos. Afinal, poucas intervenções na medicina têm um potencial tão grande de salvar vidas quanto uma vacina capaz de prevenir o câncer.
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).



