“In vino veritas”, por Marcelo Candido

No vinho está a verdade. Eis o título do latim para o português. Essa expressão, já considerada um provérbio, faz parte da cultura ocidental e de certa forma traduz a sensação de liberdade que a bebida produz, principalmente quando consumida em grande quantidade, levando seu usuário ou usuária a derramar em público verdades invioláveis sem o álcool.

É comum encontrarmos essa expressão quando algum incauto dana a falar sobre aquilo que jamais falaria se estivesse sóbrio. É claro que a palavra “vino” serve como exemplo de bebida, e neste caso pouco importa se os efeitos foram produzidos pelas uvas maceradas e fermentadas ou por outros ingredientes que servem para fabricar diferentes líquidos repletos de prazer e alegria, como a cachaça, a vodca, a cerveja ou mesmo o uísque, entre tantas outras. O vinho tornou-se apenas um símbolo do estado de embriaguez capaz de fazer do entorno um grande confessionário.

Quem não tem entre suas histórias engraçadas ou constrangedoras (e mesmo assim muitas vezes engraçadas), momentos vividos por amigos ou por si próprios, principalmente quando contadas em ambientes descontraídos? Não faço aqui juízo sobre os males da bebida. Isso fica para outra ocasião, pois não faltam dramas a assombrarem a vida de tanta gente mundo afora.

Aqui quero celebrar o vexame, a incúria, a sofreguidão, a fossa, a desilusão, o amor e a paixão! Beber, muitas vezes, liberta a alma atolada na disciplina, que geralmente nos torna chatos, burocráticos e sem graça. Bebendo as pessoas tornam-se acessíveis.

Repito, antes que os acusadores me acusem: não defendo o uso excessivo de álcool, somente celebro uma parte da fugaz felicidade que ele produz.

No budismo a felicidade pode ser vista como uma ilusão que somente a iluminação haverá de garantir, já no boteco ela brota do fundo do copo e, a depender do estado da pessoa, até a “iluminação” ela acha que encontrou. Muitas pessoas fazem seus julgamentos a respeito de outras pessoas sem considerar que as conhecem muito superficialmente, implicando assim com alguém que poderia ser sua melhor amizade.

Sendo assim, experimentem sair para beberem juntos. Garanto que a verdade sobre aquela pessoa há de vir à superfície e fazer as paredes rígidas romperem-se rigorosamente na frente dos olhos, separando assim as rabugices que para nada servem senão para deixar este mundo mais insuportável.

Liberte-se! Experimente beber um vinho ao lado de uma pessoa eleita por você para ser “investigada” e acredito que as chances de dali emergir uma verdadeira amizade só não serão maiores caso o lugar escolhido esteja fechado. Na dúvida, convide aquela pessoa para tomar um vinho, pois dizem que quando ele entra, a verdade sai. Beba com moderação!

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do HojeDiario.com)

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