“A cigarra e a formiga nas redes sociais”, por Luci Bonini

Muita gente conhece as duas fábulas em que a Cigarra e a Formiga se encontram em situações adversas. Num primeiro momento, a Cigarra, cansada, enfraquecida e com fome, bete à porta da formiga, e esta como era malvada, não dá abrigo ao frágil inseto que acaba morrendo de frio e fome na porta do formigueiro. Já no outro caso, a outra Cigarra tem mais sorte, uma vez que quem abre a porta do formigueiro é uma formiga boa, que agradece à Cigarra por ter trazido tanta felicidade com o seu canto, que acabou abrigando a companheira, que no verão seguinte, seguiu sua carreira de cantora pela floresta, alegrando a vida de todos os que ali viviam.

Nos dias de hoje, esses mesmos insetos, dada a fama de suas histórias, se instalaram numa rede social famosa, e cada uma delas, acabou virando digital influencers, com milhares de seguidores.

A cigarra, que havia perdido uma de suas companheiras, volta e meia lamentava a morte de sua amiga e sempre buscava mostrar suas qualidades. Afinal as cigarras são insetos maravilhosos: com seus corpos multicores, suas asas que mais parecem terem sido tecidas com a mais brilhante e fina seda da natureza. Ela também criava reels com suas composições mais recentes e mostrava sua voz encantadora. Detalhe, a cigarra aprendeu a cantar novas canções!!!  Criava conteúdos digitais  como podcasts com cigarras famosas na moda e na música! Por causa da beleza de seu corpo, de suas cores brilhantes, a Cigarra também entrevistava outros insetos para aumentar a cultura de uma alimentação rica em vitaminas e proteínas para manter uma vida saudável e duradoura.

A formiga boa, aquela que ajudou a cigarra, acabou montando uma organização de caridade a partir do ato de bondade realizado com a cigarra. Sua ONG resgatava insetos abandonados e/ou vítimas de maus tratos, angariava seguidores para mostrar como seu trabalho era gratificante. Com mais de 3 bilhões de seguidoras, afinal os formigueiros são bastante populosos, a rentabilidade de seu canal, só crescia e todos os insetos resgatados deixavam seus depoimentos emocionados para essa benfeitora, dessa parte tão desprezada pelos animais maiores.

A formiga má, no entanto, tinha lá seu perfil, com algumas centenas de seguidoras e ficava o dia todo buscando defeito nas postagens de todos os insetos da rede social. Cada inseto tinha um defeito: era um besouro que era gordo demais, uma abelha que se achava a mais importante da cadeia produtiva, um pernilongo cujo canto era desafinado, um Louva-a-Deus que ficava pregando demais e assim por diante…

Moral da história: Não há nada de novo sob o Sol.

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do HojeDiario.com)