Folia, tradição e irreverência ajudam a contar a história de um bloco que surgiu de uma brincadeira entre amigas e já começa a ganhar destaque no Carnaval da região do Alto Tietê. Em plena semana “carnavalesca”, o portal Hoje Diário traz uma reportagem voltada à valorização da cultura local e dos apaixonados pela maior festa popular do país.
O Bloco das Virgens tem uma origem curiosa que remonta a encontros em uma antiga casa de samba chamada Pinhal Danças, que funcionava onde hoje está o Comercial Esperança, nas proximidades do antigo Canecão, no município de Mogi das Cruzes.
Um grupo de amigas: Sandra, Solange, Meire e Tânia, moradoras do distrito de César de Souza, frequentava o local com frequência e costumava ficar no mezanino, cantando junto com o músico que se apresentava ao vivo.
Em uma dessas noites, o cantor perguntou de onde elas eram. Ao ouvir que vinham de César de Souza, lançou a brincadeira: “Chegaram as Virgens de César de Souza”. O apelido pegou entre elas e passou a ser usado nas idas à casa de samba, sempre em tom descontraído.
Anos depois, durante uma confraternização de 2025, a história foi relembrada em meio às conversas. A brincadeira inspirou a criação de uma marchinha em homenagem às “Virgens de César”. O que parecia apenas mais uma brincadeira ganhou forma e saiu do papel.
Em conversa com o portal Hoje Diário, um dos organizadores do bloco, Luiz Paulo Silva e genro da virgem Sandra, contou que a composição surgiu após um desafio feito pelo próprio grupo. “Eu achei que era brincadeira, mas elas cobraram. Então escrevi a marchinha, coloquei música e resolvemos inscrever nos concursos”, relatou.
A marchinha participou de concursos realizados em Sabaúna, distrito de Mogi das Cruzes e em Guararema, cidade vizinha.
Embora não tenha conquistado o primeiro lugar, ficou entre as finalistas nas duas disputas, resultado considerado positivo pelo grupo.
Parte da letra da marchinha, que embala o bloco neste Carnaval, diz:
“Chegou o Bloco das Virgens,
neste Carnaval a folia é tradição.
Alô, Mogi, entra no cordão,
tem virgem encalhada no meio desse povão.
Alô, Cupido, me erra!
Neste bloco, a sua flecha não me acerta!
Você está “bebum” e tomando de copão;
hoje sua flecha não fura mais ninguém, não!
E o Santo Antônio está de bituca,
querendo casar uma virgem em Sabaúna.
Vai, Santo Antônio, leva a virgem para o altar
eu só caso com ela se, na quarta, eu lembrar!”
A partir daí, surgiu a ideia de transformar a música em um bloco de Carnaval. De forma espontânea, amigos e familiares passaram a se reunir para participar da folia. Os primeiros abadás foram comprados pela internet, inicialmente apenas para curtir o Carnaval entre conhecidos. No entanto, o interesse foi crescendo.
“Agora está virando febre. Todo mundo quer abadá, todo mundo quer participar”, afirmou Luiz Paulo. Segundo ele, o bloco ainda não está oficialmente formalizado, mas a intenção é regularizar a iniciativa e, no próximo ano, contar com um espaço fixo para reunir os foliões.
No último dia 1º, o Bloco das Virgens se apresentou em Guararema, levando muita brincadeira e animação às ruas da cidade, principalmente entre os netos das criadoras do nome.





