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15 de fevereiro, Dia da Luta Contra o Câncer Infantil: oncologista de Suzano explica os desafios da doença

Neste domingo (15) é celebrado o Dia Internacional da Luta Contra o Câncer Infantil. A data, instituída pela Childhood Cancer International em 2002, tem como principal objetivo aumentar a conscientização sobre o câncer infantojuvenil e reforçar a importância do diagnóstico precoce.
Em entrevista ao portal Hoje Diário, o médico oncologista Doutor Jorge Abissamra Filho destaca que o dia é uma ferramenta essencial de educação e cita os cânceres mais comuns: leucemias, tumores do sistema nervoso central, linfomas e outros.

No Brasil, a cada ano, cerca de 12 mil novos casos de câncer infantil são diagnosticados, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
A doença é a principal causa de morte entre crianças e adolescentes de um a 19 anos no país, mas a taxa de sobrevivência da doença, de acordo com o Inca, é de 60%.

“O Dia Internacional da Luta Contra o Câncer Infantil é fundamental para dar visibilidade a uma doença que, apesar de relativamente rara, tem um impacto profundo nas famílias e na sociedade. Essa data serve para reforçar a importância do diagnóstico precoce, do acesso ao tratamento adequado e do investimento contínuo em centros especializados. Também é um momento de lembrar que o câncer infantil tem cura em grande parte dos casos, quando tratado de forma correta e em tempo oportuno”, disse Jorge.

O Doutor ainda falou sobre os tipos de câncer mais comuns nesta faixa etária. “Os cânceres infantis mais frequentes são as leucemias, especialmente a leucemia linfoblástica aguda, seguidas pelos tumores do sistema nervoso central, linfomas, neuroblastoma, tumor de Wilms e alguns tumores ósseos e de partes moles. Diferentemente do câncer do adulto, o câncer infantil geralmente não está relacionado a fatores de estilo de vida, mas a alterações do desenvolvimento celular”, explicou.

Neste contexto, o oncologista explica as dificuldades em dar um diagnóstico precoce. “O maior desafio é que os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos, como febre persistente, palidez, dor óssea, emagrecimento ou cansaço excessivo, o que pode atrasar a suspeita diagnóstica. Além disso, ainda existe desigualdade no acesso a serviços especializados, principalmente fora das grandes regiões urbanas. Capacitar a atenção primária para reconhecer sinais de alerta é uma das chaves para melhorar esse cenário”, informou.

Nas últimas décadas, a oncologia pediátrica avançou de forma significativa, segundo Abissamra. “Os avanços foram enormes. Hoje temos protocolos mais eficazes e menos tóxicos, melhor suporte clínico, avanços na radioterapia, cirurgia mais precisa e, em alguns casos, terapias-alvo e imunoterapia. Graças a isso, as taxas de cura do câncer infantil ultrapassam 70% em muitos tipos de tumor, chegando a mais de 90% em algumas leucemias quando tratadas adequadamente”, contou.

Para Abissamra Filho, o apoio da família é central no processo de enfrentamento do câncer, como relatou à reportagem. “O suporte emocional, a adesão rigorosa ao tratamento e a manutenção de uma rotina o mais estável possível ajudam muito no sucesso terapêutico”, explica.

Encerrando a entrevista, o médico deixou uma mensagem de esperança aos leitores. “O câncer infantil, hoje, é uma doença que na maioria das vezes pode ser curada. O caminho é desafiador, mas não precisa ser percorrido sozinho. Com confiança na equipe médica, apoio familiar e tratamento adequado, muitas crianças retomam seus sonhos e constroem um futuro cheio de possibilidades”, finalizou.

Foto: Divulgação/Bruno Billi
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