O Dia Internacional da Mulher costuma ser marcado por homenagens, flores, mensagens bonitas e campanhas publicitárias nas redes sociais. No entanto, no Brasil, a realidade que acompanha essa data é muito mais dura.
Em um país onde mulheres continuam sendo mortas, agredidas e violentadas todos os dias, o 8 de março precisa ser também um momento de reflexão e, principalmente, de responsabilidade.
O Brasil ainda convive com números que deveriam envergonhar qualquer sociedade. No ano passado, quatro mulheres foram mortas por dia, vítimas de feminicídio. Além disso, houve o registro de uma vítima de estupro a cada seis minutos. Esses dados não são apenas estatísticas frias. São vidas interrompidas, famílias destruídas e histórias que poderiam ter sido diferentes se houvesse mais proteção, prevenção e políticas públicas eficazes.
Em um ano eleitoral, essa realidade precisa estar no centro do debate público. Em 2026, os brasileiros irão às urnas para escolher deputados estaduais, deputados federais, dois senadores, governador e presidente da República. Não se trata apenas de escolher nomes ou partidos. Trata-se de escolher representantes que tenham compromisso verdadeiro com a vida das mulheres.
Defender políticas públicas de proteção não pode ser apenas um discurso oportuno em datas simbólicas. É necessário que candidatos e candidatas apresentem propostas concretas e, mais do que isso, que suas trajetórias demonstrem coerência com o que dizem. A defesa das mulheres precisa estar presente na prática política, nas votações, nas prioridades de governo e nas ações do dia a dia.
A segurança das mulheres passa por várias frentes. Envolve investimento em delegacias especializadas, fortalecimento das redes de proteção, ampliação de casas de acolhimento, políticas de prevenção à violência e educação que promova respeito e igualdade desde cedo. Também exige que as denúncias sejam levadas a sério e que o sistema de justiça funcione de forma rápida e eficaz.
Como mulher, jornalista e cidadã, após anos acompanhando histórias reais de violência e desigualdade, acredito que precisamos olhar para além das frases prontas e das publicações feitas apenas para gerar engajamento. As redes sociais se tornaram espaços importantes de mobilização, mas não podem substituir ações reais.
Fazer média nas redes sociais não conquista o meu voto.
O que conquista é compromisso verdadeiro, histórico coerente e coragem para enfrentar um problema que continua tirando a vida de milhares de mulheres no Brasil.
Neste Dia Internacional da Mulher, mais do que homenagens, precisamos reafirmar uma cobrança coletiva: que a vida das mulheres seja tratada como prioridade absoluta. Não apenas no 8 de março, mas em cada decisão política tomada ao longo do ano.
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).



