“Vape e narguilé: o risco invisível que está conquistando uma geração”, por Doutor Jorge Abissamra Filho

Nos últimos anos, dois hábitos ganharam espaço de forma silenciosa, principalmente entre jovens e adultos jovens: o uso de vape (cigarro eletrônico) e o consumo de narguilé. Vendidos como alternativas “menos prejudiciais” ao cigarro tradicional, eles criaram uma falsa sensação de segurança e isso é exatamente o que os torna ainda mais perigosos.
O vape, muitas vezes com aroma adocicado e aparência tecnológica, passa a impressão de algo moderno e inofensivo. Já o narguilé carrega um ar social, associado a momentos de lazer entre amigos. Mas por trás dessa imagem existe uma realidade bem diferente.

Do ponto de vista médico, ambos expõem o organismo a substâncias tóxicas. No vape, há nicotina em concentrações variáveis, além de compostos químicos que, quando aquecidos, podem causar inflamação pulmonar, lesão das vias aéreas e até quadros graves como a chamada EVALI; uma síndrome respiratória associada ao uso de cigarro eletrônico. No narguilé, o problema é ainda mais subestimado: uma única sessão pode equivaler à inalação de dezenas ou até centenas de cigarros, dependendo do tempo de uso.

E aqui está um ponto importante que pouca gente entende: não existe uso seguro.

O uso frequente, obviamente, traz riscos acumulativos. A dependência de nicotina se instala, o pulmão sofre agressões contínuas e o risco de doenças cardiovasculares e câncer aumenta progressivamente. Jovens que começam com vape têm maior chance de migrar para o cigarro tradicional ou manter um consumo crônico ao longo da vida.

Mas o uso esporádico também não é inofensivo. Aquela ideia de “só no fim de semana” ou “só em festa” não elimina o risco. Cada exposição gera impacto no organismo, principalmente no sistema respiratório e cardiovascular. Além disso, mesmo o uso ocasional pode levar à dependência, especialmente em produtos com alta concentração de nicotina, como muitos vapes disponíveis no mercado.

No caso do narguilé, o uso esporádico costuma ser ainda mais enganoso. Como é associado a encontros sociais, as sessões tendem a ser longas, com grande volume de fumaça inalado em pouco tempo. Ou seja, mesmo quem usa “raramente” pode estar se expondo a uma carga tóxica significativa.

Outro ponto preocupante é a relação com o câncer. Tanto o vape quanto o narguilé estão associados à exposição a substâncias carcinogênicas. Ainda que os efeitos de longo prazo do vape estejam sendo estudados, já sabemos que ele não é uma alternativa segura. No narguilé, essa associação é ainda mais clara, com aumento de risco para câncer de pulmão, cabeça e pescoço, entre outros.

O mais preocupante é que estamos diante de uma geração que pode adoecer mais cedo e muitas vezes sem perceber o risco que está correndo.

A indústria mudou a forma de apresentar o problema, mas não mudou o problema em si. A dependência continua sendo o objetivo. E a conta, como sempre, chega depois.

A melhor escolha ainda é a mais simples e a mais difícil de aceitar: não usar.

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).

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