23 de abril, Dia Mundial do Livro: conheça o escritor de Poá, Magno Oliveira

No Dia Mundial do Livro, celebrado nesta quinta-feira (23), a literatura ganha destaque como instrumento de memória, conhecimento e transformação social. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 1995, com o objetivo de incentivar a leitura, homenagear autores e reforçar a importância dos livros na formação cultural da sociedade.

Em Poá, o escritor Maguinilson de Oliveira Silva, conhecido como Magno Oliveira, representa esse movimento ao transformar vivências, histórias locais e personagens do cotidiano em narrativas literárias. Nascido em Santa Isabel, ele tem 33 anos e vive em Poá desde a infância.
Em conversa exclusiva com o portal Hoje Diário, Magno relembra que sua trajetória na literatura começou ainda na juventude, quando passou a escrever poesias inspiradas em experiências pessoais. Com o tempo, a escrita deixou de ser apenas uma expressão individual e passou a se tornar um projeto literário.

“Comecei a escrever poesias inspirado no amor colegial. Com o tempo, fui escrevendo sobre outros temas”, conta à reportagem.
O reconhecimento como escritor veio anos depois, com a publicação de sua primeira obra. “A partir do momento em que publiquei o livro É mais que futebol!, tive a consciência de que sou artista, um trabalhador da cultura. Isso aconteceu ao longo do tempo, lutando por políticas culturais, quando me reconheci”, afirma Magno.

Antes disso, o autor já havia participado de publicações coletivas. “Antes do livro É mais que futebol! Jardim Pinheiro Futebol Clube, participei de algumas antologias com poesias”.
Para Magno, a literatura ocupa um espaço que vai além da produção artística. “É na vida pessoal que encontro refúgio, remédio para a alma. Lendo Júlio Verne, Luís Fernando Veríssimo, entre outros, inclusive autores regionais como Roberto Cavenatti, Jussara Melo, Roberta Del Carlo e Cleyton Gonçalves, abstraio-me da dura realidade da vida e encontro inspiração para tudo”, conta.

O processo de escrita, segundo o autor, não segue uma fórmula fixa. As ideias surgem de forma espontânea e passam por revisão constante. “As ideias simplesmente surgem, e tudo pode ser inspirador. Quando me dedico a escrever, simplesmente deixo acontecer e, ao longo do processo, busco corrigir e reescrever, sempre buscando o melhor texto. Além disso, faço pesquisas a respeito do que estou escrevendo, assisto e leio sobre o tema para aperfeiçoar a inspiração e a escrita”. Magno também explica que o silêncio é parte fundamental da produção. “Eu preciso sentar em frente ao computador, em absoluto silêncio, com um caderno de anotações”, afirma.

Hoje, a rotina do escritor é dividida com outros compromissos. “Já tive tempo para escrever de forma contínua. No momento, acabo escrevendo em períodos específicos, muito em virtude de dividir o dia com vários outros compromissos”. Magno conta que sua principal obra nasceu de uma referência literária marcante em sua formação. “A ideia deste livro surgiu há muitos anos. Já adulto, reli o livro do escritor José Roberto Torero, chamado Uma História de Futebol. A primeira vez que li essa obra foi na escola, durante uma atividade de português ministrada pelo professor Sérgio, na escola Benedita Garcia, em Calmon Viana. Da inspiração inicial até o lançamento, em dezembro de 2025, foram cerca de oito anos”, conta o autor.

O caminho, porém, não foi simples. “Comecei a escrever o texto e, como percebi que não teria dinheiro para seguir adiante, engavetei o projeto. Com o advento da Lei Paulo Gustavo, vi a oportunidade de obter o recurso que, de outro modo, não teria”, explica Magno.

Atualmente, o escritor direciona sua produção para histórias de pessoas comuns. “A história das pessoas reais, que vivem o Brasil real: o pipoqueiro, a catadora de recicláveis, o dono de uma mercearia antiga, enfim, pessoas que contribuíram com o país, mas não são reconhecidas. Para mim, toda pessoa é uma história, e toda história merece ser contada”. Para ele, a força de uma boa narrativa está na identificação com o leitor. “Um bom texto, bons personagens, histórias com as quais as pessoas se identifiquem, em que acreditem no que estão lendo”, afirma.

Magno também destaca a importância de políticas culturais para viabilizar a produção artística. “Em relação a futuras obras, espero que ainda em 2026 possa lançar a segunda edição de É mais que futebol! e estou na expectativa pelos editais do ciclo 2 da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc) em Poá. Os editais são meios de o artista ter condições de financiar suas obras. É uma política cultural muito importante para o artista e benéfica para a sociedade”. O autor também pensa em projetos futuros. “Quero, sim, publicar outras obras; porém, para saírem da ideia e ganharem vida no papel, neste momento, dependem de políticas culturais a serem desenvolvidas.”

Ao final, o escritor deixa um recado direto para quem está começando na literatura: “Não desanimem e não deixem de escrever. Busquem se aperfeiçoar e lutem por políticas culturais que possam contribuir não só para tirar projetos do papel, mas também para impulsionar o Brasil. Como diz uma grande referência na cultura regional, Rose Meusburger: a cultura não é a cereja do bolo, é o fermento!”

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