Nesta quarta-feira (29), é celebrado o Dia Mundial da Dança. No dicionário, “dança” é definida como uma forma espontânea de expressão, uma arte antiga que sempre uniu entretenimento, história e técnica. Em cada canto do planeta, surgiram movimentos típicos: no Brasil, o samba; na Espanha, o flamenco; na França, o balé clássico, entre tantos outros.
Para compreender a grandeza dessa expressão artística, o portal Hoje Diário conversou com a bailarina Ana Heloisa de Souza, de 20 anos, moradora de Mogi das Cruzes. Em 2024, ela ganhou uma bolsa na La Maison des Arts et Mouvements (MAM), em Marselha, no sul da França, representando a região do Alto Tietê na Europa.
Em Mogi das Cruzes, Ana iniciou no balé aos nove anos, na escola Fernanda Moretti Arte do Movimento e, desde pequena, já se inspirava em grandes personagens. “O que me motivou foi assistir a desenhos como Angelina Bailarina e aos filmes da Barbie. Eu adorava ver as personagens dançando, e aquilo despertou em mim uma vontade muito grande de fazer aula também. Foi assim que tudo começou!”, disse Heloisa.
De acordo com ela, após anos de prática, a dança foi ganhando proporções inimagináveis em sua rotina, momento em que percebeu que poderia seguir a profissão. “Percebi que a dança tinha se tornado realmente importante. A partir desse momento, comecei a me dedicar muito mais: procurei escolas diferentes, escolas maiores, como a São Paulo Escola de Dança, para evoluir tecnicamente. Eu fazia aula de manhã em uma escola, à tarde em outra e, à noite, ensaiava. Além disso, treinava sozinha, pesquisava, estudava e buscava aprender cada vez mais. Foi nesse processo intenso que percebi o quanto a dança já fazia parte de tudo na minha vida e que eu tinha feito a escolha certa”, relatou.
Com essa dedicação, a mogiana participou de uma audição on-line para conseguir uma oportunidade na MAM, que, para sua surpresa, deu certo. “Consegui uma bolsa de 50% e, durante nove meses, fiz um curso de jazz moderno. Era uma técnica do Matmatox. As aulas tinham cerca de seis horas por dia. O curso não tinha foco no balé clássico, embora houvesse aulas esporádicas da modalidade, além de workshops com professores convidados e atividades em diferentes espaços, como o Ballet National de Marseille, onde também fiz aulas por conta própria. A rotina era bastante rígida, com uma aula decorada que precisava ser executada exatamente da forma como os professores queriam. No começo, foi frustrante repetir a mesma aula todos os dias, mas depois percebi o quanto isso ajudava a aprimorar os movimentos, deixar tudo mais claro e desenvolver a musculatura”, contou.
Ana Heloisa compartilha ainda seus pensamentos sobre como é ser bailarina e mostra que vai além de um espetáculo. “Na minha visão, o que as pessoas de fora não entendem sobre ser bailarina é que é mais do que dançar no palco. É tudo o que você faz no seu dia a dia: os exercícios, o tempo que dedica, o que você come, o que planeja, para onde vai. O balé é algo totalmente complexo; você tem os passos para decorar, todas as cadeias musculares que precisa ativar e pensar. É uma prática que exige muito da mente também”, relatou a dançarina.
Por fim, a bailarina aconselha todos que desejam ingressar no mundo da dança. “Não desistam, tenham bastante persistência e pesquisem muito sobre isso, para não ficarem estacionados no mesmo lugar, apenas esperando uma oportunidade surgir. Eu pesquisei bastante e corri atrás até dar certo. Mesmo com dificuldades financeiras, foi difícil estar sozinha lá, sem minha família. Ainda assim, continuei e consegui, porque, no final, sempre vale muito a pena”, finalizou.




