O município de Salesópolis, na região do Alto Tietê, instituiu o Refúgio de Vida Silvestre do Bicudinho-do-brejo-paulista, unidade de conservação destinada a preservar mais de 5.660 hectares de Mata Atlântica e áreas úmidas no estado de São Paulo. A medida resulta de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público (MP) e contou com suporte técnico da SAVE Brasil, Rainforest Trust e American Bird Conservancy (ABC). A área abriga habitat essencial para a ave endêmica que dá nome ao refúgio, além de outras espécies ameaçadas como o pixoxó (Sporophila frontalis) e o gavião-real-falso (Buteogallus coronatus).
A diretora-executiva da SAVE Brasil, Alice Reisfeld, afirmou que a criação da unidade é fundamental para a sobrevivência da espécie, restrita ao território paulista. Segundo ela, a proteção de uma das últimas áreas viáveis para o bicudinho-do-brejo-paulista beneficia também a conservação das aves na Mata Atlântica e assegura a biodiversidade local para as futuras gerações.
Com população estimada em menos de 700 indivíduos, a ave sofre pressão intensa devido à perda de habitat provocada pela proximidade com regiões urbanas populosas. O vice-presidente de Espécies Ameaçadas da ABC, Daniel Lebbin, explicou que a nova unidade oferece perspectiva mais positiva para o animal criticamente ameaçado e representa resultado de anos de trabalho conjunto entre parceiros para garantir a preservação de habitats de aves raras na região.
James Deutsch, diretor-executivo da Rainforest Trust, destacou que o refúgio demonstra a eficácia da liderança local aliada a parcerias globais na proteção da floresta tropical. Para ele, a iniciativa é um passo essencial para manter a diversidade biológica dependente desse ecossistema fragmentado.
Esta é a segunda unidade de conservação apoiada pela SAVE Brasil voltada especificamente ao bicudinho-do-brejo-paulista. A primeira foi o Refúgio de Vida Silvestre do Bicudinho, em Guararema, também na região do Alto Tietê, que protege 2.372 hectares.



