“Violência Psicológica também deixa marcas”, por Larissa Ashiuchi

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O caso de Isabelle Caracristi, que ganhou repercussão nacional nesta semana, nos convida a uma reflexão que precisa ir muito além das circunstâncias que levaram à perda da vida da jovem estudante de Direito. Ele nos lembra que a violência contra a mulher nem sempre é consumada em uma agressão física. Muitas vezes, ela se dá de maneira silenciosa, dentro de um relacionamento, por meio do controle e da perda gradual da liberdade disfarçados de cuidado excessivo.  

A violência psicológica é uma das formas previstas pela Lei Maria da Penha e pode se manifestar em comportamentos que, isoladamente, muitas vezes são tratados como ciúme, cuidado ou preocupação, mas que, quando se tornam frequentes, podem representar sinais importantes de abuso, como controlar com quem a mulher conversa, onde vai e como se veste; exigir acesso ao celular e às redes sociais; afastá-la de amigos e familiares; provocar culpa constantemente ou fazer com que ela passe a duvidar de si mesma. São comportamentos que precisam ser observados com atenção. Não é cuidado quando existe controle. Não é amor quando existe medo. Não é proteção quando a liberdade da mulher é retirada aos poucos.

No último mês de agosto, quando a Lei Maria da Penha completou 20 anos, falamos muito sobre a importância da legislação e dos mecanismos de proteção. Mas também precisamos ampliar essa conversa para que a violência psicológica seja reconhecida cada vez mais cedo. Ela é uma violência silenciosa, que nem sempre deixa marcas visíveis, mas pode provocar sofrimento profundo e comprometer a autoestima, a autonomia e a saúde emocional da mulher.

Por isso, precisamos estar atentas não apenas a nós mesmas, mas também às mulheres que estão ao nosso redor. Uma amiga que se afasta repentinamente, uma familiar que muda seu jeito de agir, deixa de frequentar lugares, demonstra medo ou passa a justificar constantemente o comportamento do companheiro pode estar vivendo uma situação que merece acolhimento e atenção. Não cabe julgamento. Cabe escuta. Cabe oferecer apoio, fortalecer vínculos e lembrar que nenhuma mulher precisa enfrentar uma situação de violência sozinha.

Que o caso de Isabelle nos faça olhar com mais atenção para os sinais vermelhos (‘red flags’) de um relacionamento. Reconhecer, conversar e acolher também são formas de proteção. E, diante de qualquer situação de violência contra a mulher, é importante buscar orientação e ajuda na rede de proteção. Informação também salva. 

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal HojeDiario.com).

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