“Todo o poder emana do povo. E hoje é a nossa vez”, por Neusa Freitas

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Chegamos à última coluna desta série. Durante as últimas semanas, falei sobre os cargos que encontraremos na urna, as responsabilidades de deputados, senadores, governadores e do presidente da República e o poder que entregamos a cada um deles quando fazemos nossas escolhas. Mas faltava falar de quem está do outro lado: nós.

A Constituição brasileira traz, logo no primeiro artigo, uma das frases mais importantes da nossa democracia: “Todo o poder emana do povo”. E hoje milhões de brasileiros exercerão uma das formas mais importantes desse poder.

Eu gosto de pensar no dia da eleição também por esse lado. Não apenas pelas disputas e diferenças que marcaram a campanha, mas pela possibilidade de milhões de pessoas participarem da decisão sobre os caminhos do país. Cada eleitor chegará à urna com sua própria história, suas experiências, preocupações, convicções e expectativas para o futuro.

Não pensaremos todos da mesma maneira. Democracia nunca significou unanimidade. Significa também permitir que nossas diferenças existam e que cada cidadão faça sua escolha com liberdade. Consciência de voto não é pensar igual. Muito menos fazer a escolha que outra pessoa considera correta. É compreender a importância da própria decisão.

Durante esta série, falei sobre conhecer as atribuições de cada cargo, observar trajetórias, entender propostas e saber o que realmente pode ser feito por aqueles que receberão o nosso voto. Hoje, tudo isso vira escolha
E há algo importante nesse momento: o voto é individual e secreto. Quando estamos diante da urna, a decisão pertence a cada um de nós. Da mesma maneira que queremos essa liberdade, precisamos reconhecer no outro exatamente o mesmo direito.

Haverá famílias divididas politicamente, amigos que fizeram escolhas opostas e colegas de trabalho que enxergam o país de maneiras completamente diferentes. E, quando a eleição terminar, continuaremos vivendo juntos.
Podemos defender nossas ideias com firmeza. Podemos discordar, argumentar, questionar e cobrar. Política é importante demais para ser tratada com indiferença. Mas nenhuma divergência deveria nos fazer esquecer que o país do dia seguinte será o mesmo para todos nós.

E é aí que entra algo que eu não quero perder nesta última coluna: a esperança. Não aquela esperança ingênua de que uma eleição resolverá todos os nossos problemas, mas a esperança de que podemos fazer melhor. De que políticas públicas podem transformar vidas, que a educação pode abrir caminhos, que a saúde pode cuidar, que oportunidades podem mudar histórias, que direitos precisam ser respeitados e que governos precisam ser cobrados.

Eu ainda acredito nisso. Acredito que podemos discordar profundamente sobre os caminhos e, ainda assim, desejar um país melhor. Acredito também que participar dessa construção continua valendo a pena.

Talvez exista algo especialmente simbólico no dia da eleição. Independentemente da profissão, do dinheiro na conta, do bairro onde moramos, da nossa origem ou do sobrenome que carregamos, cada voto tem o mesmo valor. O meu vale um. O seu também.

Durante semanas, esta coluna falou sobre aqueles que ocuparão os cargos públicos depois das eleições. Hoje, quero terminar falando de nós: da responsabilidade de escolher com consciência, do respeito à escolha do outro e da esperança de que o exercício da democracia possa nos levar adiante.

Porque o nosso papel não termina na urna. Depois vêm os resultados, os governos e a responsabilidade de acompanhar, fiscalizar e cobrar aqueles que foram escolhidos.
Todo o poder emana do povo. E hoje é a nossa vez.

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).

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