Renato S. Cerqueira/Futura Press/Folhapress

Em meio a uma crise econômica que tem deixado uma boa parcela da população em estado de alerta, os governos estaduais e federal têm elaborado diversas iniciativas em prol da retomada e fortalecimento da economia e do mercado financeiro, que auxiliam diretamente na geração de empregos. No entanto, nem todos os brasileiros podem esperar a oportunidade perfeita bater à porta e vão atrás de alternativas para conseguirem um sustento para suas famílias por meio da informalidade.

O trabalho informal é caracterizado pela realização de serviços e atividades de modo autônomo, ou seja, não há vínculos empregatícios. Apesar de parecer promissor por possibilitar flexibilidade de horário com um rendimento imediato, a informalidade tem sérias desvantagens, como a ausência de uma renda fixa e de direitos como décimo terceiro salário, férias, licença-maternidade ou aposentadoria.

Dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad) Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que em maio de 2021, a taxa de informalidade no Brasil subiu para 40%. Ou seja, entre os 86,7 milhões de pessoas que estavam ocupadas no trimestre estudado, 34,7 milhões não tinham carteira assinada ou CNPJ próprio.

Segundo o levantamento mais recente realizado pelo IBGE, o número saltou para 48,7% de trabalhadores informais, um avanço considerado alto quando se analisa o curto período em que aconteceu. Com o nível de desemprego em 14,1%, segundo dados do Instituto, e sem grandes auxílios financeiros para população em situação de vulnerabilidade social, a informalidade se mostra o único caminho possível para ter uma renda, mesmo que instável, e garantir itens básicos como comida e moradia.

O grande problema do crescimento da informalidade é a incerteza que ronda essa modalidade trabalhista. Sem o vínculo empregatício, a pessoa pode fazer jornadas semanais muito extensas e intensas, o que gera desgaste do corpo. Como não há formalidade, também não haverá amparo nos casos mais extremos de doenças adquiridas por conta do trabalho excessivo.

Há também a instabilidade financeira individual. Os informais precisam tentar manter um planejamento sólido e consciente de gastos familiares que priorize custear o essencial e, na medida do possível, poupar para o futuro. Como não há renda fixa, sempre há a possibilidade de um mês ser mais fraco, o que pode comprometer não somente o pagamento de contas, como também a compra de comida, remédios e outros bens de assistência básica, além de fatores externos que exercem grande influência como os preços dos produtos, que têm uma tendência de alta e afetam fortemente a vida de todos.

Segundo especialistas, há perspectiva de melhora na geração de emprego para os próximos anos. Com o crescimento e desenvolvimento econômico, serão criados postos de trabalho que, com o passar dos meses, serão ocupados por muitos informais. No entanto, é um processo que leva tempo. Antes da oportunidade de formalização chegar, é preciso manter-se atento aos custos que tem, cortar gastos não-essenciais e priorizar ao máximo poupar pelo menos uma fração dos valores adquiridos, para que haja segurança financeira a curto e longo prazo.

(Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do HojeDiário.com)

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