Há um livro que li há mais de 25 anos atrás do escritor Marcelo Rubens Paiva, que tinha o título deste artigo. O autor se acidentou em um lago e acabou ficando tetraplégico e nessa atual condição fez um tipo de autobiografia. Quem não leu, vale a pena ler. Espero que não se escandalizem com o conteúdo deste.

No auge da Covid, vinha em minha mente o título deste livro, pois vendo algumas reportagens antigas/passadas, além da saudade, me dava a impressão que a volta à normalidade seria em um futuro muito mais distante. Bem, se passaram quase dois anos e no atual momento, pelo menos aqui no Brasil, a Covid tem perdido força. O número de internações e óbitos estão caindo dia após dia. Que assim continue! Começa a se vislumbrar um tempo de saída, de encontro e de quase volta à normalidade.

Todavia, bem sabemos que a Covid não está superada e que também o problema atual não se resume, nem se restringe a pandemia, ainda que seja algo terrível. Neste tempo tão estranho, em sentido geral há tantas feridas abertas que é como se a sociedade brasileira estivesse internada sem data para sair da internação. A crise das instituições faz um poder se apropriar do outro.

Hoje há um excesso de judicialização, de agressão e de aberração. Tal característica faz parecer que o contexto traria de qualquer jeito a pandemia ou outra coisa pior. Ademais, vemos crescer na sociedade hodierna um moralismo agressivo, militante, quase divino, mas que na sua essência é totalmente egoísta, desumano e desalmado. A preocupação com os costumes, com a família e com a civilidade só servem para lacrar e lucrar.

Isso não significa que não há em nosso meio pessoas boas e bem intencionadas que de fato busquem e lutem por estes valores. E certamente, essas pessoas existem e são muitas. Mas não podemos nos esquecer que moralismo é uma coisa e moralidade é outra. Este colapso sanitário, humanitário, institucional, religioso etc., exige de cada um de nós o bom senso, a sabedoria e a sensatez. Não podemos entrar na pilha do excesso e do extremo.

Em uma época difícil, a clareza e calma no pensar e no agir são faróis que iluminam o caminho. Os grandes pensadores surgiram em épocas difíceis. Sendo assim, vamos aprender com tudo que vemos e ouvimos. Não desanimemos frente aos desafios, mas sigamos em frente com esperança. Na noite escura, há sempre estrelas que brilham e inspiram. Que a luz de Deus ilumine o coração de cada um. Paz e bem!

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do HojeDiário.com)

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