Você consegue se olhar sem aquele filtro, que nos deixa com a cara das Kardashians, e se achar bonita? 

Em tempos de filtros, procedimentos estéticos, padrão boneca de porcelana, tem sido difícil se olhar no espelho às 7 horas e sorrir.

Eu não sou contra, inclusive uso, faço, e não sou radical em relação a autoaceitação, pois se algo não te agrada e dá para melhorar, faça, mas não se torne refém disso.

Os veículos de comunicação oprimem e controlam o corpo e a aparência das mulheres desde o seu surgimento, criando padrões de beleza totalmente inalcançáveis e escravizando mulheres desde o início de suas vidas, transformando nossos corpos em motivo de audiência e abrindo para debate um assunto que deveria ser somente a respeito de nós.

Por mais inofensivos que os filtros do Instagram possam parecer, eles transformaram a forma que enxergamos a nós mesmos. Hoje em dia, postar uma selfie sem nenhum filtro ou edição se tornou um ato de coragem e quase um posicionamento político. 

As pessoas olham para suas imagens deformadas na tela do celular e enxergam isso como um upgrade de si mesmo, comparando sua real aparência com a versão computadorizada e nada humana que os filtros nos oferecem. 

Em razão disso é significativa a oferta de “técnicas milagrosas” para emagrecimento, eliminação de estrias, celulite, gordura localizada, entre outros procedimentos. Assim, é preciso que o consumidor tome alguns cuidados para evitar problemas na contratação de serviços ligados a beleza e estética:

qualquer tratamento deve ser acompanhado por um médico. Somente este profissional é habilitado para dar orientações quanto à eficácia de determinados tratamentos e avaliar eventuais problemas de saúde;

– antes de contratar uma clínica estética, a pessoa deve visitar o local para verificar as condições de higiene da clínica. É importante certificar-se de que ela utiliza material descartável para uso individual (seringas e agulhas) e esterilizado para uso coletivo (toalhas, roupões, aventais, etc), bem como conhecer a aparelhagem disponível e os profissionais que ali atuam;

– questionar como será executado o serviço e informar-se sobre as regras e disponibilidade de horário do estabelecimento é uma questão básica para quem vai contratar uma clínica estética;

– é preciso ficar claro quais serão os procedimentos utilizados, os efeitos colaterais, os possíveis riscos à saúde, como por exemplo, consumidores cardíacos ou alérgicos, assim como o tempo necessário para que comecem a aparecer os primeiros resultados e a quantidade de sessões necessárias para resolver o problema;

– outro item a ser verificado pelo consumidor é se a clínica possui fichas de controle das sessões realizadas e registro das medidas e peso, no caso de tratamentos que tenham finalidade de redução de peso ou medidas. Neste caso é importante que o consumidor não só anote o registro para acompanhar o resultado do tratamento proposto, como também possua cópia desse documento;

– o consumidor deve informar-se sobre o preço total do tratamento e o preço de cada sessão, a data de início e término do serviço. Ao fechar negócio, o consumidor deve exigir que todos os itens discutidos na fase pré-contratual integrem o contrato de prestação de serviços, e que lhe seja fornecido recibo de todos os pagamentos efetuados.

– em caso de desistência antes do término do tratamento, o consumidor deve receber de volta o dinheiro relativo as sessões que não foram feitas;

– o fornecedor deve garantir o cumprimento à oferta. O consumidor, por sua vez, deve guardar todo o material publicitário veiculado para o caso de reclamações posteriores. A publicidade capaz de induzir o consumidor a erro a respeito da natureza, características, qualidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços é considerada enganosa e proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Os consumidores que eventualmente tiverem problemas nessa relação de consumo poderão registrar suas reclamações nos órgãos de defesa do consumidor, apresentando toda documentação pertinente à questão, como contrato, recibo, materiais publicitários etc.

A pressão estética afeta os consumidores insatisfeitos, então se vale a dica, se aceite como é e saiba quais são os seus direitos.

Juliane Gallo

Especialista em Direito do Consumidor
Ativista pelos Direitos das Mulheres
Diretora do Centro de Integração e Cidadania 

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do HojeDiário.com)

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