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A pequena verdade tem palavras que são claras; a grande verdade tem grande silêncio.”
– Rabindranath Tagore

Já não é de hoje que a verdade tem fama de ser lenta. Em oposição, temos a mentira, a quem se atribui uma velocidade estonteante como se sujeito fosse. O diabo é que, sendo assim, a danada da mentira sempre chega primeiro e a verdade, quando chega, precisa servir não apenas para comunicar um determinado fato, mas para desmentir aquilo tudo que chegou primeiro.

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O pior disso é que em geral a mentira é sempre melhor recebida, pois traz consigo uma substância mais desejosa, mais atraente, vulgar e até mesmo sedutora. Essa preferência que a média dos seres humanos tem pela mentira é objeto de sérias investigações no campo científico, mas não me cabe aqui buscar dissecá-las, por duas razões: não sou especialista no tema e o espaço disponível para a abordagem é exíguo demais.

Considero profundamente grave o fato de que a internet potencializou a circulação da mentira como nunca antes visto na história da humanidade. Ao mesmo tempo em que as ferramentas disponibilizadas por ela geram enormes vantagens em todos os aspectos do mundo do trabalho e da convivência social, elas também se constituem como mecanismos apropriados para a disseminação de versões das mais distorcidas e de poderosas armas de destruição de reputações de pessoas e grupos.

O fato de a mentira quase sempre ter pernas curtas vale como um alívio cômico, pois essa constatação escancara que velocidade nem sempre tem compatibilidade com a sustentação prolongada de uma versão. É sabido que uma mentira precisa mobilizar muitas variáveis para se sustentar, mas basta uma falha em qualquer uma delas para fazer desmoronar toda uma estrutura que parecia inabalável.

A verdade, por sua vez, é eterna. Isso porque ela se sustenta naquilo que é verificável e nem o tempo é capaz de desfazer as estruturas que a sustentam, muito embora a verdade possa desaparecer do nosso alcance mais imediato ou mesmo histórico – lembre-se que a história é demasiadamente registrada a partir da perspectiva de supostos vencedores. Viver sob o império da verdade exige de nós confiança e sabedoria. No entanto, viver sob o império da mentira, exige sua manutenção cotidiana e qualquer distração é suficiente para desmantelar esse império.

A epígrafe encimada a este texto foi recolhida dos escritos de um reluzente polímata bengali que viveu até o primeiro quarto do século passado. Gosto da profundidade do pensamento ali presente quando o autor estabelece distinção entre a pequena e a grande verdade, assegurando que a primeira necessita de palavras claras que irão sustentá-la; em contrapartida, a grande verdade simplesmente dispensa o uso da palavra! Em ambos os casos, a mentira inexiste! Eis a premissa e a inspiração de meu silêncio sazonal.

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do HojeDiario.com)

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