Várias coisas diferentes podem vir à mente quando ouvimos a palavra “hipócrita”. Talvez seja um político pego em um escândalo; talvez seja um líder religioso fazendo algo contrário ao seu credo; talvez seja um personagem intrigante e conivente das novelas. Mas é provável que a única coisa que não vem à mente seja o teatro.
A palavra hipócrita finalmente veio para o português da palavra grega hypokrites, que significa “um ator” ou “um ator de palco”. A palavra grega em si é um substantivo composto: é composta de duas palavras gregas que se traduzem literalmente como “um intérprete de baixo” (da máscara). Esse composto bizarro faz mais sentido quando se sabe que os atores do teatro grego antigo usavam grandes máscaras para marcar qual personagem estavam interpretando e, portanto, interpretavam a história por baixo de suas máscaras.
A palavra grega assumiu um significado extenso para se referir a qualquer pessoa que estivesse usando uma máscara figurativa e fingindo ser alguém ou algo que não era. Esse sentido foi levado para outras línguas. Levou um tempo para a palavra hipócrita ganhar seu significado mais geral que usamos hoje em dia: “uma pessoa que age em contradição com suas crenças ou sentimentos declarados”.
A palavra personagem também veio do teatro, da palavra persona do latim: uma máscara usada nas peças de teatro. Para Carl Gustav Jung, a fachada social de um indivíduo que reflete o papel na vida que um sujeito está desempenhando. Pode ainda representar a personalidade que uma pessoa projeta em público.
Disto posto, encerro aqui com uma reflexão: qual a máscara que você usa com mais frequência? Assim tem sido nas redes sociais. Os influenciadores digitais, lindos, de vida feliz, mas que na realidade não passam de pessoas comuns, que vivem um papel que resolveram interpretar.


