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“Desabafo de um incrédulo”, por Padre Claudio Taciano

Deus dos quem tem fé.

Se o Senhor existe, porquê o mal encontra espaço e amedronta tantos daqueles que dizem que nasceram por vossa vontade e, portanto, creem em vós? Isso não o inquieta ou tens preocupações mais importantes? Poderia, ao menos, se de fato existes… proteger às crianças que sofrem, os doentes e os marginalizados? O silêncio do Senhor é a justificativa dos maus e a dor do crente que chora. Afinal, que existência é essa que pune aqueles que nem pediram para nascer e presenteia os maus com longevidade.

Deus daqueles que acreditam, dizem que o senhor é justo, mas que justiça é essa que sacrifica inocentes e protege os poderosos. Hoje, a injustiça e a ambição, as guerras, o terrorismo e a violência crucificam milhares de pessoas que não têm nada a ver com isso. Sangue e dor se espalham em toda a terra. A desolação e o desespero tomam conta de milhares, em várias partes do nosso vasto mundo. Será que os seus filhos ruins amarraram suas mãos e taparam seus ouvidos? Dizem que seu Filho morreu para nos salvar, mas o mundo continua hostil e covarde depois de dois mil anos de sua morte. O que deu errado? Será que a crucificação se perpetuou e a benção se esfacelou?

Deus dos crentes, seus discípulos se dividiram em várias denominações e cada uma delas se dizem portadoras da sua vontade. O que houve? Qual o significado desta divisão?

Deus dos religiosos, que religiosidade é essa que cultua o luxo, que desdenha dos pobres, que “espetaculariza” sua mensagem com falsos milagres e falsas interpretações, como se o ensinamento de seu filho não fosse em si, essencial e necessário? A prosperidade, segundo alguns religiosos, é a sua resposta diante da súplica. Mas não é o coração humano e a nossa consciência pautada na boa intenção, e unidos a ti, que regem a transformação da nossa vida e do coração?

Deus dos que invocam seu nome, há cruéis que te invocam e há mansos, que mesmo sem crer, fazem o bem e são fraternos. Essa inversão não convida os que não acreditam em ti a continuarem nesta estrada da incredulidade? Será que os problemas humanos se tornaram maiores do que o senhor imaginava? Será que a sua existência se deve a projeção coletiva da mente humana que tem necessidade de crer em alguém superior?

De qualquer forma, fragilizados e machucados pela existência, só nos resta tentar encontrá-lo nas encruzilhadas da vida. Amém.

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do HojeDiario.com)