segunda-feira, 23/fevereiro/2026
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Caso Isabelly Joana: mãe de jovem morta pelo ex-namorado em 2025, no bairro Vila Urupês, em Suzano, pede justiça às vésperas de júri popular do caso

O Brasil registrou, em 2025, 1.518 casos de feminicídio, média de quatro mulheres assassinadas por dia, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número representa o maior índice desde a sanção da Lei do Feminicídio, em 2015.
Entre as vítimas está Isabelly Joana Silva de Santana, de 20 anos, estudante de Medicina Veterinária e estagiária em uma prefeitura do Alto Tietê. Ela foi morta com um golpe de faca pelo ex-namorado, no dia 15 de maio de 2025, na rua Biotônico, no bairro Vila Urupês, em Suzano.

Com a aproximação do júri popular, marcado para o dia 26 de março de 2026, às 9h, a mãe da jovem, Maria Aparecida Silva, falou ao portal Hoje Diário. Em meio à dor, ela relembra os sinais de abuso no relacionamento da filha e reforça o pedido por justiça.
“Ela fez tudo certo. Encerrou um relacionamento que a fazia sofrer. Mas ele não aceitou o fim e passou a persegui-la durante um ano. Quando completou um ano do término, ele a matou”, relatou, emocionada.

Segundo Maria Aparecida, conhecida como Cida, os indícios de comportamento agressivo e dominador eram perceptíveis. Entre os episódios que mais marcaram a família estão as mortes de três animais de estimação.
“Foram três animais mortos. Primeiro, o porquinho-da-índia, que ela tinha no início do namoro. Depois, o galo, que ela amava muito. Nesse momento, eu já percebia um comportamento dominador e agressivo”, contou.

O caso mais impactante envolveu o gato da família. “Um dia, Isabelly entrou no quarto e encontrou a cabeça do animal esmagada, em meio às fezes. Ele me mandou mensagem dizendo: ‘Pronto, sogra, acabei com um problema’. Quando cheguei em casa, ele já tinha limpado tudo e enterrado o gato, como fez com os outros dois”, relatou.

Para a mãe, os sinais eram claros: ciúmes excessivos, tentativas de isolamento, alternância entre elogios e críticas e atitudes de controle sobre a rotina e a família da jovem.
“Observem como o companheiro trata a própria mãe e a família. No caso da Isabelly, havia sinais que não poderiam ser ignorados”, alertou.

“Era minha amiga, minha companheira”

Ao falar sobre a filha, a emoção se mistura às lembranças. Isabelly cursava Medicina Veterinária na Universidade de Mogi das Cruzes e sonhava em atuar com animais de grande porte.
“Era minha amiga, minha companheira. Dizia que eu era a alma gêmea dela. Prometia cuidar de mim enquanto vivesse. Era alegria pura. Mesmo brava, falava de um jeito que fazia todo mundo rir. Sonhava em ir para a Itália e em ser uma grande veterinária. Era meu orgulho, meu tudo”, afirmou.

Para Cida, a luta agora é para que a morte da filha não seja apenas mais um número nas estatísticas.
“Quero que as mulheres entendam que têm o direito de dizer ‘não’, de encerrar um relacionamento e que a sociedade se engaje para que outras mães não passem pelo que eu estou passando”, finalizou.

Relembre o caso

O crime ocorreu no fim da tarde de 15 de maio de 2025, na rua Biotônico, no bairro Vila Urupês, em Suzano. Isabelly foi atacada com um golpe de faca e encontrada gravemente ferida na rua Biotônico, caída ao lado da arma utilizada.
Moradores que passavam pelo local acionaram o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que prestou socorro e encaminhou a jovem, em estado grave, ao Hospital e Maternidade de Suzano (HMS), antiga Santa Casa de Misericórdia. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu.

O ex-namorado foi localizado minutos depois pela Polícia Militar na rua Benedito Martins Filho, no bairro Jardim Cacique, próximo ao local do crime. Segundo os policiais, ele estava com as mãos sujas de sangue no momento da abordagem.
Ele foi preso em flagrante e, posteriormente, teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça. O acusado segue detido à disposição do Judiciário até a realização do júri popular.

A ocorrência foi registrada na Delegacia Central de Suzano como feminicídio, crime caracterizado pelo assassinato de uma mulher em razão de sua condição de gênero.

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