Dia Internacional da Mulher: origem da data reforça debate sobre feminicídio e violência contra mulheres; assista

O Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (08), reforça a importância da luta histórica por direitos e também acende um alerta para a persistência da violência contra mulheres no Brasil. Dados recentes mostram que o país registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, número 4,7% maior que o do ano anterior, o que significa que quatro mulheres foram mortas por dia.
Além disso, houve aumento de 18,37% nos casos de violência doméstica no Alto Tietê no primeiro semestre do mesmo ano.
Diante da relevância da data, as repórteres do portal Hoje Diário, Ludimila Valadares, Isabella Oliva e Maria Elisa Felix, gravaram um vídeo especial para relembrar o significado da data e a necessidade de conscientização e enfrentamento da violência de gênero (assista abaixo).

Oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, o Dia Internacional da Mulher tem origem em mobilizações operárias do início do século XX. Um dos episódios mais marcantes ocorreu em 1917, quando trabalhadoras russas foram às ruas exigir “Pão e Paz”, protestando contra a fome, a guerra e as condições de vida. A manifestação, considerada um marco do movimento feminino, ocorreu em 8 de março no calendário gregoriano.

No Brasil, as celebrações começaram a ganhar força a partir de 1947, impulsionadas por movimentos sufragistas e feministas que reivindicavam participação política, direitos trabalhistas e reconhecimento social. Atualmente, a data é frequentemente vista como um dia de conscientização social e política.

Entre esses desafios, a violência contra a mulher continua sendo um dos mais graves. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que apenas no primeiro semestre de 2025 houve aumento de 18,37% nos casos de violência doméstica na região do Alto Tietê, passando de 2.624 registros em 2024 para 3.106 no mesmo período de 2025.

Em escala nacional, o cenário também preocupa. Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, número 4,7% maior que o do ano anterior. Desde que o crime foi tipificado na legislação brasileira, em 2015, ao menos 13.703 mulheres foram assassinadas por razões relacionadas à condição de gênero, geralmente em contextos de violência doméstica ou familiar.
O crescimento recente também aparece na série histórica. Entre 2021 e 2025, os registros de feminicídio aumentaram 14,5% no país.

Embora parte da elevação esteja relacionada ao aprimoramento da classificação dos crimes pelas autoridades, especialistas que participaram do levantamento do Fórum apontam que há também aumento real dos episódios de violência contra mulheres.

Outro dado que chama a atenção é que parte das vítimas já havia buscado ajuda antes do crime. Em análise realizada em diferentes estados, 13,1% das mulheres assassinadas tinham Medida Protetiva de Urgência vigente no momento do feminicídio, o que indica falhas na proteção efetiva dessas vítimas mesmo após acionarem o sistema de justiça.

Especialistas também destacam desigualdades regionais e estruturais. Municípios menores, com até 100 mil habitantes, registram taxas proporcionalmente mais altas de feminicídio e, ao mesmo tempo, contam com menor presença de serviços especializados de atendimento às mulheres, como delegacias da mulher, casas-abrigo e centros de apoio.

Entre eles está Salesópolis, cidade do Alto Tietê com 15.202 habitantes, que registrou aumento percentual de 63,16%, passando de 19 para 31 casos de violência doméstica.
Já as medidas protetivas em Salesópolis também tiveram o maior salto percentual, de 243,48%, passando de 23 para 79 medidas.

Diante desse cenário, o Dia Internacional da Mulher reforça a necessidade de ampliar políticas públicas de prevenção, fortalecer a rede de proteção e combater padrões culturais que ainda sustentam a violência de gênero.

Assista ao vídeo.

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