Uma mulher de 47 anos, com deficiência (PCD) e estudante de Direito, relatou ao portal Hoje Diário ter sido vítima de agressões físicas e verbais na noite de 24 de março, nas imediações do campus de Itaquaquecetuba da Universidade Guarulhos (UNG).
De acordo com o Boletim de Ocorrência (B.O.), a vítima encontrou uma vaga destinada a pessoas com deficiência ocupada por um veículo sem a credencial obrigatória. Diante disso, estacionou atrás do carro e acionou o segurança da faculdade para auxiliar na situação, informando que retiraria o veículo caso fosse necessário. O profissional prestou apoio inicial e realizou o encaminhamento à Guarda Civil Municipal (GCM).
Ainda segundo o registro, uma colega da proprietária do automóvel abordou a vítima de forma agressiva, questionando sua condição de pessoa com deficiência e exigindo que deixasse o local. Após a discussão, outras pessoas passaram a se envolver na situação.
O B.O. aponta que a vítima foi agredida fisicamente ao tentar entrar em seu carro. Ela relatou ter sido puxada pelos cabelos, derrubada no chão e atingida com socos e chutes. Também afirmou que foi arrastada pelo asfalto e contida por mais de uma pessoa ao tentar se levantar, além de ter sido alvo de zombarias e de gravações feitas por pessoas envolvidas durante as agressões.
Ainda conforme o registro policial, mesmo após conseguir entrar no veículo, as pessoas envolvidas teriam sacudido o carro e feito ameaças. A vítima conseguiu deixar o local com dificuldades e, posteriormente, realizou exame de corpo de delito, que confirmou escoriações.
O portal Hoje Diário solicitou posicionamento à Prefeitura de Itaquaquecetuba e à Universidade Guarulhos. Em nota, a Prefeitura de Itaquaquecetuba informou que a Guarda Civil Municipal foi acionada para atender à ocorrência, realizou o acolhimento da vítima e orientou sobre os procedimentos legais.
A administração municipal destacou ainda que vagas destinadas a pessoas com deficiência são de uso exclusivo e que o uso irregular configura infração gravíssima, sujeita a multa e remoção do veículo, reforçando que mantém ações de fiscalização e canais para denúncias.
Já a Universidade Guarulhos informou que o caso ocorreu fora de suas dependências e que não há relação acadêmica ou institucional com o episódio, além de destacar que não houve envolvimento de colaboradores da instituição. A instituição reiterou que repudia qualquer ato de violência ou discriminação.
O caso foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Suzano como lesão corporal.


