O feriado de Tiradentes, marcado nesta terça-feira (21), registra a morte de Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, durante a Inconfidência Mineira, em 1789, na cidade histórica de Ouro Preto, Minas Gerais.
Seu ato de maior bravura foi assumir a responsabilidade por um plano de independência que desafiava os impostos abusivos de Portugal no Brasil colonial. Joaquim José da Silva Xavier foi preso, condenado à morte e enforcado. Após sua execução, seu corpo foi esquartejado e seus pedaços expostos como forma de intimidação à população.
A história, contudo, não termina aí. Existem detalhes e curiosidades pouco conhecidos sobre Tiradentes e a época de seus relatos, que não costumam aparecer nos livros de história.
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Invenção sobre o rosto de Joaquim José da Silva Xavier
Após sua execução e esquartejamento, as quatro partes de seu corpo foram postas nos caminhos entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Sua cabeça ficou exposta em um poste e, segundo relatos, foi roubada e nunca mais encontrada.
As primeiras pinturas dele foram feitas quase 100 anos após sua morte. Não há retratos em vida, mas relatos históricos indicam que ele usava cabelo curto e barba feita, por ser militar de patente. No entanto, ele foi pintado propositalmente com barbas e cabelos longos para assemelhá-lo à figura masculina usada para ilustrar Jesus Cristo. Isso facilitava a aceitação popular, que transformou esse ativista político em uma figura sagrada.
No “papel”, Tiradentes não era dentista
Ele recebeu o apelido de Tiradentes por trabalhar como dentista, mas exercia a odontologia de forma amadora, pois não possuía diploma da profissão, já que não existiam faculdades de odontologia no Brasil. Ele aprendeu com seu tio e padrinho, Sebastião Ferreira Leitão, que atuava como cirurgião. Na época, os “barbeiros” eram responsáveis pela saúde bucal, realizando extrações rudimentares de dentes.
Apesar de não ser formado, Tiradentes foi reconhecido por ter exercido a profissão de forma notória.
Sua morte como feriado
Joaquim José da Silva Xavier é o único brasileiro cuja data de morte se tornou um feriado nacional oficial em todo o território do país. O dia relembra sua execução em 1792, porém a data de sua morte tornou-se feriado nacional em 1890.
Herói após sua morte
Sua imagem de mártir foi construída quase 100 anos depois. Em 1870, a nova República Brasileira precisava de heróis como símbolo de patriotismo que não tivessem ligação com a monarquia, já que ele foi tratado como traidor pela coroa portuguesa.
Mineiro no Rio e múltiplas profissões
Apesar de ser mineiro, foi no Rio de Janeiro que começou a ter contato com ideias revolucionárias. Além disso, dedicou-se a melhorias urbanas, como o abastecimento regular para a população, a construção de moinhos e serviços de barcas para transporte de passageiros. E, além de tirar dentes, ele foi militar, tropeiro, minerador e comerciante.




