A discussão sobre o fim da escala 6×1, modelo em que se trabalha seis dias e se descansa um, ganhou força no Brasil. À primeira vista, a proposta parece positiva: mais qualidade de vida para o trabalhador. Mas essa mudança vai muito além da jornada. Ela impacta diretamente o custo das empresas, a produtividade e a geração de empregos.
Do lado dos benefícios, a redução da jornada pode melhorar a saúde mental, aumentar o tempo com a família e, em alguns casos, elevar o engajamento e a produtividade. Países ao redor do mundo já testam modelos mais flexíveis, e o Brasil busca acompanhar essa tendência.
Por outro lado, existe um ponto crítico que precisa ser analisado com responsabilidade: o impacto econômico.
Se a jornada diminui e a operação continua, a empresa precisa contratar mais pessoas. Isso significa aumento de folha, encargos e risco financeiro. E no Brasil, onde a carga tributária já consome uma parte significativa do faturamento, esse custo adicional pode ser determinante principalmente para pequenos e médios empresários, que operam com margens apertadas.
Outro efeito colateral é o risco de aumento da informalidade. Quando contratar se torna mais caro, muitos negócios deixam de formalizar ou reduzem equipes. Além disso, há pressão na precificação: custos mais altos tendem a ser repassados ao consumidor, impactando o consumo e desacelerando a economia.
O ponto central dessa discussão não é apenas social, é econômico. O Brasil já enfrenta desafios como juros elevados, carga tributária alta e mudanças estruturais com a reforma tributária. Somar a isso um aumento no custo trabalhista exige planejamento.
A solução passa por produtividade, gestão eficiente e inteligência financeira. Trabalhar menos só funciona se a empresa produzir melhor.
No fim, o equilíbrio é essencial. Empresas saudáveis geram empregos, renda e crescimento. Sem isso, qualquer avanço perde sustentabilidade.
(Este texto não reflete, necessarimente, a opinião do Portal HojeDiario.com).




