Nesta quarta-feira (13), há 138 anos, o Brasil declarava o fim da escravidão de pessoas negras no país por meio da Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel. O fim da escravidão foi resultado de um longo processo no Brasil, que ficou marcado como o último país do Ocidente a abolir oficialmente a prática. A assinatura da Lei Áurea ocorreu tanto por pressões internas quanto por interesses econômicos e mercantilistas da época.
O portal Hoje Diário conversou com o historiador Glauco Ricciele, que relembrou a história da Capela São Sebastião, localizada na rua Antônio Cândido Vieira, em Mogi das Cruzes, construída em memória ao escravizado Sebastião.
Sebastião foi enforcado por agir em legítima defesa, em 1839. Glauco contou a lenda sobre a noite que marcou a decisão sobre a vida do escravizado.
“No antigo bairro de Biritiba Mirim, que hoje se tornou cidade, surgiu a notícia de um crime hediondo: um assassinato brutal cometido em uma emboscada durante a noite. Isso resultou na revolta contra o escravizado Sebastião, que foi preso e acusado como único autor do crime. A cidade queria justiça, e a sentença era aguardada até que informaram que Sebastião seria enforcado atrás da Igreja do Carmo, um local tradicional de punição desde os tempos da fundação da vila”, contou Glauco.
O historiador também compartilha a lenda de que, no momento em que o escravizado Sebastião seria enforcado, a corda teria se rompido três vezes. Essa e outras histórias estarão em um livro que ele pretende lançar em 2027.
“O carrasco, então, lançou o laço fatal no pescoço do escravizado… mas a corda arrebentou. O silêncio foi quebrado por um murmúrio de espanto. O carrasco tentou pela segunda vez… a corda se partiu novamente. Pela terceira vez, o laço foi colocado e, para o pavor e o espanto geral, a corda se rompeu mais uma vez. A multidão começou a vibrar, e o murmúrio transformou-se em clamor. Era um sinal divino, uma intervenção clara que proclamava a inocência do acusado. O povo exigia a libertação de Sebastião.
Nesse momento, porém, ocorreu a fatalidade. Um tropeiro que passava pelo local, cético e alheio à comoção popular, intrometeu-se na cena. Desprezando o suposto milagre, ofereceu sua corda, um resistente ajoujo trançado com tiras de couro, para que o serviço fosse concluído. Foi com essa corda que o enforcamento de Sebastião foi finalmente consumado, sob os protestos veementes do povo, que gritava contra a injustiça”, disse Glauco.
A história termina com a descoberta de que o verdadeiro autor do crime era o próprio patrão do escravizado inocente, o que motivou a construção da capela em memória de Sebastião.
“Em memória de Sebastião e para livrar o local da injustiça, a pequena capela de São Sebastião ergue-se hoje no lugar daquele trágico enforcamento”, finalizou Glauco.
Essa lenda local é marcada pela comoção popular em torno do escravizado, já que a população passou a considerá-lo inocente e a cultuá-lo, o que resultou na construção da capela em 1902.



