“Quando a terra treme, a humanidade deve permanecer de pé”, por Luci Bonini

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Há momentos em que as fronteiras desaparecem. Não importa a língua que falamos, a bandeira que carregamos ou as diferenças que insistimos em cultivar. Quando a terra se abre sob os pés de um povo, todos nós sentimos, ainda que à distância, um pouco daquele abalo.
Hoje, nossos irmãos venezuelanos vivem uma das páginas mais dolorosas de sua história recente. Casas transformaram-se em escombros, famílias foram separadas em poucos segundos, sonhos ficaram soterrados sob concreto e poeira. Enquanto alguns procuram um lugar para recomeçar, outros ainda aguardam, com a esperança cada vez mais frágil, que uma voz responda do outro lado das pedras.
É impossível contemplar uma tragédia dessa dimensão sem recordar que a condição humana é, ao mesmo tempo, grandiosa e profundamente frágil. Construímos cidades, pontes, estradas e monumentos, mas basta um breve movimento da natureza para que compreendamos o quanto dependemos uns dos outros.

Nós, latino-americanos, compartilhamos muito mais do que um mapa. Compartilhamos histórias, culturas, alegrias e sofrimentos. Somos povos que aprenderam a resistir às adversidades e que conhecem o valor da solidariedade quando a dor bate à porta.
Que este seja um momento em que a compaixão fale mais alto que qualquer diferença política, ideológica ou econômica. Sob os escombros não existem partidos, nacionalidades ou disputas. Existem seres humanos. Existem pais procurando filhos, filhos procurando seus pais, avós esperando notícias dos netos, amigos chamando por amigos.

Que as equipes de resgate encontrem forças para continuar. Que as instituições humanitárias do mundo unam esforços para levar alimentos, medicamentos, abrigo e esperança. Que cada profissional da saúde, cada bombeiro, cada voluntário e cada pessoa que estende a mão receba também o reconhecimento de toda a humanidade.
E que nós, daqui, façamos aquilo que também nos cabe: não permitir que a tragédia se transforme apenas em mais uma notícia destinada ao esquecimento. A solidariedade não elimina a dor, mas impede que ela seja enfrentada na solidão.

Hoje, nossas preces atravessam fronteiras e alcançam o povo venezuelano. Que Deus conforte os que choram, fortaleça os que trabalham sem descanso entre os escombros e acolha aqueles que partiram.
Porque, quando a terra treme em qualquer lugar da América Latina, o coração de toda a nossa América também deveria estremecer.

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).

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