“Cansaço não é sempre “coisa da idade”: quando o organismo começa a atacar o próprio corpo”, por Doutor Jorge Abissamra Filho

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Sentir cansaço de vez em quando é normal. Mas quando a fadiga se torna constante, vem acompanhada de dores nas articulações, queda de cabelo, manchas na pele ou febre sem explicação, é hora de investigar. Esses podem ser sinais de uma doença autoimune. As doenças autoimunes acontecem quando o sistema imunológico, que deveria proteger o organismo contra vírus e bactérias, passa a atacar tecidos saudáveis do próprio corpo. É como se o nosso sistema de defesa deixasse de reconhecer quem é o inimigo e começasse a atingir órgãos e estruturas normais.

Existem mais de 80 doenças autoimunes conhecidas. Entre as mais frequentes estão o lúpus, a artrite reumatoide, a psoríase, a doença de Crohn, a retocolite ulcerativa e a tireoidite de Hashimoto. Algumas acometem principalmente as articulações, outras a pele, o intestino, a tireoide ou até vários órgãos ao mesmo tempo.
Embora possam surgir em qualquer pessoa, são mais comuns nas mulheres, principalmente entre os 20 e os 50 anos. A genética exerce um papel importante, mas fatores ambientais, infecções, tabagismo, exposição solar excessiva em pessoas predispostas e até situações de grande estresse podem contribuir para o aparecimento da doença.

O grande desafio é que os sintomas costumam aparecer de forma lenta e inespecífica. Muitas pessoas passam meses ou anos acreditando que o problema é apenas estresse, excesso de trabalho ou falta de vitaminas. Isso atrasa o diagnóstico e pode permitir que ocorram lesões permanentes em órgãos como rins, pulmões e coração.
Felizmente, a medicina evoluiu muito. Hoje existem exames mais precisos e tratamentos capazes de controlar a atividade do sistema imunológico, reduzindo inflamação, preservando os órgãos e proporcionando excelente qualidade de vida. Muitos pacientes trabalham, praticam exercícios, viajam e levam uma vida praticamente normal quando recebem tratamento adequado.

A principal mensagem é simples: não normalize sintomas persistentes. O corpo costuma dar sinais antes que uma doença se torne grave. Procurar avaliação médica quando algo foge do habitual é uma atitude de prevenção, não de preocupação excessiva. Ouvir o próprio corpo continua sendo uma das ferramentas mais importantes para cuidar da saúde. Quanto mais cedo uma doença autoimune é identificada, maiores são as chances de controlar a inflamação, evitar complicações e preservar a qualidade de vida.

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).

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