O tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, que foi baleado na cabeça no último sábado (27), em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo, também é alvo de uma investigação pela morte de um homem durante uma operação policial realizada em Suzano. O oficial é irmão de Eloá Pimentel, que, aos 15 anos, ganhou repercussão nacional ao ser mantida em cárcere por quatro dias e assassinada pelo ex-namorado, em 2008.
Ronickson e um cabo da Polícia Militar são investigados pela morte de um homem, de 22 anos. O caso ocorreu em 7 de janeiro, durante uma ação desencadeada a partir de uma denúncia anônima sobre um possível depósito de drogas em Itaquaquecetuba.
De acordo com o inquérito, a equipe comandada pelo tenente prendeu um indivíduo no primeiro endereço, onde foram apreendidos armamentos, munições, entorpecentes e materiais utilizados no tráfico de drogas. Durante a ocorrência, o preso indicou outro imóvel, localizado em uma chácara em Suzano, afirmando que também havia drogas e armas no local.
Os policiais seguiram até o endereço indicado. Segundo a versão apresentada pelos agentes, houve troca de tiros assim que a equipe chegou à propriedade. Eles afirmam que o homem reagiu à abordagem e, diante da situação, foram efetuados disparos. O tenente utilizou um fuzil e efetuou dois tiros. O cabo que o acompanhava também disparou duas vezes, usando uma pistola.
O baleado morreu antes da chegada do socorro. O exame necroscópico concluiu que a vítima sofreu hemorragia interna provocada pelos disparos, que atingiram o tórax e causaram lesões no pulmão, coração, fígado e intestino.
Embora Ronickson utilizasse câmera corporal durante toda a operação, as imagens registradas não esclarecem se o homem chegou a disparar contra os policiais. A companheira da vítima afirmou que estava dentro da residência quando ouviu barulho no portão. Segundo seu relato, o indivíduo saiu para verificar o que acontecia. Pouco depois, os agentes entraram na casa, retiraram-na do imóvel e, em seguida, ela ouviu os disparos.
A investigação conduzida pela Polícia Militar foi encerrada em março deste ano e concluiu que os policiais agiram em legítima defesa, sem apontar a prática de crime.
O Ministério Público Militar, no entanto, discordou desse entendimento. Para o órgão, o caso deve ser analisado pelo Tribunal do Júri. Na manifestação apresentada à Justiça, o MP também apontou falhas na investigação, entre elas a ausência de confronto balístico entre as armas utilizadas pelos policiais e a arma atribuída à vítima, além de solicitar novas diligências para complementar a apuração.
Ataque ao policial
No último sábado (27), o tenente Ronickson foi baleado na cabeça ao deixar uma academia em São Caetano do Sul. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que dois homens em uma motocicleta se aproximam e efetuam os disparos.
O policial foi socorrido e levado ao Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, onde passou por uma cirurgia neurológica. Após o procedimento, o quadro de saúde evoluiu de grave para estável.
As investigações sobre o atentado resultaram na prisão preventiva de dois homens, de 40 e 52 anos. Eles foram localizados pela Polícia Militar em Guaianases, na zona leste da capital paulista, encaminhados ao DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) e permaneceram em silêncio durante os interrogatórios, segundo informou a Polícia Civil.
A principal linha investigativa considera que o ataque tenha sido planejado com antecedência. Na decisão que autorizou as prisões, o juiz apontou indícios de que os dois investigados atuaram de forma coordenada com os executores dos disparos e integraram a estrutura de apoio utilizada na ação criminosa.





