A Justiça do Trabalho condenou a Kimberly-Clark Brasil a indenizar em R$ 15 mil um trabalhador que recebeu um certificado de “Escravo CLT” durante uma confraternização da equipe em Suzano. A sentença foi proferida nesta terça-feira (29) pela 1ª Vara do Trabalho da cidade. A empresa ainda pode recorrer.
O caso aconteceu em 6 de dezembro de 2024. O trabalhador prestava serviços à Kimberly-Clark por meio de uma empresa terceirizada e participava de uma confraternização de fim de ano quando recebeu a premiação. Segundo a ação, houve ainda uma projeção em telão com a categoria “Escravo CLT” diante dos participantes.
A Kimberly-Clark contestou as acusações no processo. Na defesa, afirmou que o profissional não era seu empregado direto, disse repudiar práticas discriminatórias e negou ter organizado institucionalmente a confraternização. A empresa sustentou que o episódio foi uma brincadeira entre colegas, sem intenção de constranger o trabalhador.
Durante o processo, porém, depoimentos indicaram a participação de funcionários da companhia na organização do encontro. A representante da Kimberly-Clark confirmou que a confraternização ocorreu no grêmio da empresa e foi organizada por trabalhadores terceirizados e empregados diretos.
Uma testemunha apresentada pela própria companhia declarou que a organização ficou a cargo do time de EHS (meio ambiente, saúde e segurança). Também informou que estagiárias e aprendizes conduziram as dinâmicas e que um gestor interino estava presente no evento.
Para a Justiça, as circunstâncias demonstradas no processo afastaram a versão de que se tratava apenas de uma brincadeira sem repercussão. A juíza Juliana Ranzani considerou que a expressão usada na premiação submeteu o trabalhador a uma situação de exposição pública e violou sua dignidade.
A sentença também apontou que a Kimberly-Clark, na condição de tomadora dos serviços, tinha o dever de zelar pelo ambiente de trabalho dentro de suas instalações. Ao fixar a reparação em R$ 15 mil, a magistrada levou em conta a gravidade do episódio e as circunstâncias analisadas no processo.
A decisão ainda não é definitiva, já que o processo permanece dentro do prazo para eventual recurso.
Procurada pelo portal Hoje Diário, a assessoria de imprensa da Kimberly-Clark informou que a companhia não havia sido oficialmente notificada sobre a sentença até o momento da resposta.




