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Uma das minhas grandes preocupações nos últimos tempos tem a ver com a percepção de que a sociedade atual está formada por muitos grupos ruidosos, que não se importam com os fatos e sim com as versões. Tal percepção me leva a crer que a existência desses grupos forma uma grande barreira que impede a ocorrência de um diálogo franco e democrático. Ao contrário, emergem embates duros, desonestos e nada produtivos.

Percebo também que no interior de tais grupos predomina uma forma de comunicação extremamente violenta, que não favorece o debate e sim o torna cada vez mais insuportável. O avanço tecnológico, que serviu de base para a construção de novas plataformas de comunicação através dos meios digitais, deu a nós mecanismos de participação que nos permitem interferir diretamente no fluxo das comunicações de forma muito mais integrativa do que no passado, quando as notícias chegavam de modo quase definitivo.

Porém, a atuação dos grupos pode retirar a razão do indivíduo e atomizá-lo sem que ele perceba. O modus operandi desses grupos prima pelos ataques em detrimento ao diálogo e lança as pessoas que dele participam a um modo insano de guerrilha virtual. Além do mais, os mesmos mecanismos tecnológicos têm servido para que os indivíduos possam encontrar informações importantes no trabalho e na vida pessoal.

Isso comprova que o problema não está no meio utilizado para a troca de informações e sim no uso feito dele. Até porque o tráfego de informações, ideias e serviços dos mais variados matizes através dos meios digitais alcança um número cada vez maior de pessoas ao redor do planeta e amplifica de forma fantástica a capacidade de relacionamento entre elas, o que permite inclusive sobrepujar as fronteiras geográficas. No entanto, quando a pessoa abre mão da sua autonomia e passa a se valer das formas de comunicação praticadas por esses grupos, com base na violência verbal ou escrita, ela deixa de avançar junto ao processo civilizatório.

À medida que isso ocorre com um número cada vez maior de pessoas, a sociedade passa a ser cada vez mais regida pela barbárie e pela intolerância. Precisamos praticar uma comunicação não violenta que seja capaz de reverter esse processo a fim de que possamos conviver de forma democrática, com cada vez mais empatia e respeito diante de todas as pessoas.

(Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do HojeDiário.com)

2 COMENTÁRIOS

  1. O último quarto de século,de XVIii ,rompeu com uma forma de produção que remontava ao Éden,está forma determinava,assim, como dito por Marx:- ” O modo de produção determina o modo da economia, e o modo da economia determina a sociedade” o modelo agrário, indivídual, dependente da forças motriz e mais remotamente animal,acentuava um status quo,idilico, bucólico. Nesta sociedade os valores eram mais estreitos e rígidos,eram em grande parte orais. O fenômeno da revolução transformou drásticamente essa condição, aproximou os homens, coloco-os no Coliseu da indústria, transformou pastores em leões. Há que se notar que, a comunicação Também precisou adaptar-se,agora,ela ia além da fronteira familiar, envolvia interesses coletivos, e portanto, consigo a dualidade dialética dos desdobramentos morais. Pois bem, o mundo é um fluxo de informações Morais, eticas, religiosas, econômica etc… o mundo fracionado nos seus mais variados grupos, tem neste fracionamento ,particularidades, construídas muitas vezes pelo desvio do interesse esse desvio deforma o real, cria a caverna, na caverna está. a alucinação,a vertigem, e pelo comprometimento sensorial a consciência e sua irmã gêmea a razão desaparecem. Em sociedades com atrasos educacionais,tende a ser mais grave este cportamento. Temos enorme desafio pela frente, eliminar os ruídos, ou, pelo ao menos diminui-los,assim,construiremos o mundo inteligente. Joel Carvalho

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