O livro de Joel é pouco conhecido na Bíblia, assim como a própria história de seu autor. É um texto curto de apenas três capítulos, escrito por um profeta do Antigo Testamento que anunciava profecias ao povo de Israel.

Em um determinado momento, Joel anuncia a célebre e conhecida frase: “Diga o fraco: sou forte”. A partir dessa reflexão, quero problematizar sobre a força que existe em cada um de nós, especialmente as pessoas em situação de dependência química, que por circunstâncias diversas acreditam viver condição de eterna fraqueza.

Muitas são as situações que levam as pessoas para o ingresso nas drogas, seja curiosidade, diversão, interação social, conflitos pessoais, familiares, entre outros aspectos. Não quero tratar de tais aspectos neste artigo, mas sim, apontar que o ingresso nas drogas não leva necessariamente o indivíduo a condição de dependência química, mas muitos dos que experimentam, lamentavelmente, intensificam o uso de modo compulsivo.

Quando o usuário torna-se dependente químico, os prejuízos são imensuráveis, desde a perda da confiança dos familiares e amigos, abandono de trabalho, perda de renda, patrimônio e diversos outros prejuízos. Lenta e gradualmente, o uso compulsivo vai corroendo as relações do usuário de modo a sentir-se cada vez mais fraco e incapaz de lutar contra a dependência química.

É exatamente nesse momento que a frase do profeta Joel pode ser tomada como um fôlego de esperança para o usuário e seus familiares: “Diga o fraco: sou forte”.

A fraqueza e a queda são circunstanciais na experiência humana, momentos importantes para a pedagogia do crescimento, mas de modo algum condição eterna. Todos estamos suscetíveis a quedas, decepções e diante do caos vivido, a fraqueza, que é um momento da vida, passa a ser vista como condição absoluta.

Para todos que se encontram no limite com as drogas, sentem-se fracos e incapazes de superar a dependência química, eu grito de modo ensurdecedor as palavras do profeta Joel: “Diga o fraco: sou forte”.

O que Joel está propondo é que você diga para você mesmo o quanto você é forte, que embora as circunstâncias estejam adversas, a tempestade forte e as cores tenham desaparecido de seus olhos, você é forte!

Embora você ou alguém de sua família esteja na condição limite com as drogas, vivendo em condição de rua, subtraindo bens da própria casa para manter o consumo, diga para você mesmo, ou para o seu familiar o quanto ele é forte.

Na música “A vida é um desafio”, o grupo Racionais MC’s  sinaliza “que o tempo ruim vai passar, é só uma fase. Que o sofrimento alimenta mais a sua coragem. Que a sua família precisa de você, lado a lado, se ganhar, pra te apoiar se perder”.  Acredite: o tempo ruim vai passar, o sol vai voltar a brilhar, o sorriso voltará ao rosto se a esperança manter-se nos corações.

A dependência química afeta diretamente o núcleo familiar e o usuário sabe o quanto a sua doença dilacera todos em sua volta, mas, por razões diversas, ele acredita ser impossível vencer, ser impossível se recuperar, ser impossível superar as drogas.

Para essas pessoas que estão na condição limítrofe com as drogas, acreditando que a fraqueza é condição e não circunstância, eu empresto a minha voz para gritar contigo as palavras de Joel: “Diga o fraco: sou forte”.

Com esse grito, juntos, sempre juntos, podemos construir bolsas de esperança e fortaleza na recuperação. Tenha fé, esperança e coragem. Siga na convicção do amado e eterno Padre Haroldo: “Medo de nada, só amor!”.

(Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do HojeDiário.com)

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