Faltando 16 dias para as eleições, recebi uma ligação de um cliente com a seguinte dúvida:
– Posso demitir um funcionário que vive falando sobre política?
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Parece uma pergunta simples, não é? Mas sabemos que, na prática, não é tão fácil resolver esse tipo de situação. Então vem comigo entender melhor.
Conversar sobre política não deve ser um problema
E, no fim das contas, um papo sobre o assunto pode ser bastante enriquecedor, quando feito com respeito. Assim como as conversas sobre futebol, música e religião, falar sobre os rumos do país faz parte do dia a dia das pessoas.
A questão é como o tema será abordado. Se os seus funcionários entram no assunto e isso não interfere na harmonia e produtividade do ambiente, tudo bem.
O problema aparece quando, em meio ao papo, ocorrem xingamentos, ofensas pessoais e até brigas com colegas de cargo ou demais funcionários. E isso porque, apesar de ninguém ser obrigado a concordar com o “coleguinha”, isso não lhe dá o direito a discriminar a pessoa por seu posicionamento político.
Pode ser motivo para demissão por justa causa
A demissão por justa causa pode ocorrer, entre diversos motivos, por descuido com as funções ou ato que lesione a honra de outra pessoa. Logo, se um funcionário é demitido por seu desempenho ter caído ou por “picuinhas” no ambiente de trabalho, é fácil notar que o motivo para a demissão não foi o posicionamento político em si, mas sim a falta de respeito com a qual um colaborador teve com outro.
Por outro lado, um gerente ou dono de empresa não pode demitir um trabalhador simplesmente por ele ter uma opinião diferente da sua. Isso significa que, além de ser o caso de uma dispensa discriminatória, a empresa será condenada a pagar uma indenização de dano moral, caso o funcionário consiga comprovar o motivo da rescisão.
Ah, o mesmo vale para empresários(as) que acham uma boa ideia coagir seus colaboradores a votar em um candidato específico, para manterem os seus empregos.
Posso perguntar na entrevista em qual candidato a pessoa votará?
De jeito nenhum. Uma pergunta sobre opiniões políticas só é válida se a informação for importante para o cargo pretendido – a contratação para o jurídico de um partido político, por exemplo.
Caso contrário, não passa de um ato discriminatório e, assim como o tópico anterior, pode gerar uma indenização por dado moral.
Respeito, ética e parcimônia
Independentemente do assunto ou ambiente, é imprescindível que você saiba respeitar a opinião alheia, resguardando para si o direito de concordar ou não.
Atualmente, vivemos tempos difíceis, nos quais pessoas são ofendidas, agredidas e até mortas por pensarem diferente de alguém que cruzou o seu caminho. Por isso, é minha e sua responsabilidade contribuir para que a discordância permaneça no “campo das ideias” e que, dia após dia, voltemos a conviver em paz.
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Ótimo dia e ótimo trabalho!