Tornar-se um Microempreendedor Individual (MEI) é a porta de entrada para quem decide aposentar a carteira de trabalho ou a saída para quem não consegue uma recolocação profissional.
Um balanço divulgado pelo Ministério da Economia em junho de 2022 mostra que 69,6% das empresas ativas no Brasil são MEIs, o que totaliza mais de 13 milhões de pessoas que abriram um negócio para trabalharem por conta própria.
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O balanço não exclui, obviamente, as situações ilegais provocadas por empresas que tentam burlar a legislação trabalhista, mas, ainda assim, é um número estrondoso, ao analisarmos que mais de 1 milhão dessas MEIs foram abertas este ano, entre janeiro e abril.
Se você é uma das pessoas que decidiu ter o próprio negócio, confira comigo algumas vantagens que ser MEI pode trazer para você.
Você tem o seu próprio CNPJ
Quando você decide abrir o próprio negócio, mesmo sendo “de uma pessoa só”, pode oferecer os seus serviços para pessoas físicas (PF) e jurídicas (PJ), dependendo da sua atividade.
Porém, empresas costumam fechar parcerias com prestadores de serviços que possuem o seu “status” regularizado. Logo, se você possui um CNPJ ativo e regular, pode expandir a sua cartela de clientes.
Para visualizar melhor, pense em pessoas que fabricam doces e salgados e gostariam de fornecê-los para a cantina de uma escola de idiomas.
Geralmente, esses estabelecimentos só assinam um contrato ou fazem parcerias “de CNPJ para CNPJ”, para que ambas as partes estejam seguras e tenham garantias de que tudo caminhará conforme a lei.
Você pode atender mais de um cliente, seja PF ou PJ
Há outra vantagem em ser MEI: a possibilidade de atender vários clientes.
Dependendo do serviço que você presta ou deseja prestar, é possível organizar a sua agenda de diversas formas: um dia da semana para cada cliente; por pedido/encomenda; uma hora para cada atendimento… Tudo depende da sua habilidade de organização e planejamento.
E claro: neste texto, estou tratando de autônomos que realmente trabalham como MEIs, e não daqueles casos em que a empresa demite o funcionário CLT e o “readmite” como PJ.
Se este é o caso da sua empresa, dá uma olhada em outro texto que escrevi para o Hoje Diário: Prestador de serviços e funcionário CLT não são a mesma coisa.
Você se torna “gerente de si mesmo(a)”
Sim, você pode trabalhar de acordo com a quantidade de serviços e sua agenda. Com a exceção de serviços que precisam ser prestados em horários específicos, não importa se você trabalha de manhã ou a noite toda: a obrigação é entregar o serviço conforme ele foi contratado.
Por outro lado, preciso ser sincera contigo: quem é empreendedor tende a trabalhar mais. Seja organizando as datas de entrega ou estudando novas formas de encantar o cliente.
Por isso, use a flexibilidade a seu favor e enxergue a sua rotina de uma forma mais “macro”, digamos.
Te explico: ao invés de planejar apenas o seu dia, pense no decorrer da semana (se possível, da semana atual e da próxima), vendo se algum serviço tomará mais ou menos tempo; se há a necessidade de sair para repor matéria-prima ou espaço para agendar um compromisso.
Assim, dificilmente você precisará recusar algum pedido ou se atrapalhará com imprevistos.
Contudo, como diria o Tio Ben (do Homem-Aranha): com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades. E você precisa pensar nelas com carinho, antes de decidir empreender solo:
- Formalize os seus serviços
Já ouviu falar que uma expectativa criada pode se tornar um problema?
Pois bem. Mesmo com fotos ou explicações ao vivo, pode acontecer do seu cliente alegar que o que você entregou não foi exatamente o que ele pediu. Com isso, surgem recusas em efetuar o pagamento, pedidos de devolução de “sinal” e outras dores de cabeça que poderiam ser facilmente evitadas com uma única solução: um contrato de prestação de serviços.
Pode parecer exagero, mas qualquer coisa que resguarde a segurança do cliente e a sua reputação, vale a pena.
No contrato, você pode incluir data e horário de entrega, se há alguma observação especial, formas de pagamento e até o que acontece se você não receber o valor combinado.
Logo, se o cliente não cumprir com o contrato, você poderá cobrá-lo, em último caso, judicialmente.
Para isso, é imprescindível que você contrate um advogado para a elaboração do documento, pois um contrato incompleto ou um modelo de internet também pode fazer você perder dinheiro.
- Gerencie o dinheiro com inteligência
Falando em contratações, contar com a experiência de um contador especialista em MEI é uma boa ideia.
Ele pode te orientar sobre divisão de contas bancárias (um para PF e outra para PJ), criação de caixa para a sua empresa e valores a serem recolhidos, como o Documento de Arrecadação do Simples Nacional do Microempreendedor Individual, o famoso DAS MEI.
Isso é importante por várias razões, sendo duas:
1 – Como autônomo(a), você não possui os direitos de um trabalhador CLT. Logo, se o contrato com um cliente rescindir ou não for renovado, você não tem auxílios, como Seguro-Desemprego ou saque do FGTS, para “segurar a onda” até se estabilizar novamente; e
2 – Você precisa ter um controle de suas despesas e receita, para entender se o seu negócio está ou não dando lucro. Não calcular o quanto gasta para prestar seus serviços ou sair gastando a esmo apenas te fará pagar para trabalhar.
- Ter atenção com prazos e qualidade
Já comentei sobre o assunto em outros textos da coluna, mas vale a pena reforçar: não adianta investir em divulgação se o básico não é feito. O que fará você crescer como empreendedor é ir além de conquistar clientes, e sim fidelizar cada um deles.
Isso só é possível quando você dedica o máximo de qualidade possível para o seu serviço.
Vale comentar que “qualidade” inclui, entre outros:
– Realizar um ótimo atendimento ao cliente;
– Ter cuidado e carinho com o serviço encomendado;
– Respeitar as datas de entrega; e
– Ter uma ótima comunicação com o cliente, informando, sempre que possível, sobre o andamento do serviço e, também, em casos de imprevistos (já trazendo possíveis soluções para eles, viu?!).
E se você não acredita em mim, apenas faça uma reflexão sobre os motivos que já te fizeram cancelar um pedido ou deixar de comprar em uma loja.
Aproveite e use essas dicas para reformular o funcionamento do seu negócio – seja MEI, microempresa ou qualquer outro tipo – para 2023. O planejamento para o próximo ano pode começar agora.
Gostou deste texto? Achou a linguagem bacana?
Então, não deixe de conferir mais artigos na minha coluna no “Hoje Diário”, com textos rápidos e direto ao ponto, sobre Direito do Trabalho, LGPD e Empreendedorismo. Para enviar dúvidas, sugestões e acompanhar dicas para você e sua empresa, basta seguir @rebeka__assis no Instagram ou acessar www.rebekaassis.com.br.
Ótimo dia e ótimo trabalho!