Dia Internacional de Luta da Pessoa com Deficiência; Importância da acessibilidade e o combate ao preconceito 

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No último sábado (03), foi celebrado o Dia Internacional de Luta da Pessoa com Deficiência (PCD).
A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em outubro de 1992, com o objetivo de conscientizar a população de que as pessoas com deficiência devem ter seus direitos respeitados, mobilizando todos na luta anti-capacitista e na criação de políticas de inclusão dessas pessoas na nossa sociedade. 

De acordo com o último Censo de 2010, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 46 milhões de brasileiros, cerca de 24% da população, declararam ter algum grau de dificuldade em pelo menos uma das habilidades investigadas.

Entre as deficiências incluídas no censo, a deficiência visual estava presente em 3,4% da população brasileira, a deficiência motora em 2,3%, deficiência auditiva em 1,1%, e a deficiência intelectual em 1,4%.

Tipos de Deficiência

  • Deficiência física

Engloba vários tipos de limitações motoras, como paraplegia, tetraplegia, paralisia cerebral e amputação.

  • Deficiência auditiva

As pessoas com deficiência auditiva, são aquelas que possuem perda bilateral, parcial ou total do sentido da audição. Essa perda da capacidade de ouvir pode ser causada por diversos problemas, tais como doenças hereditárias, doenças maternas, problemas no parto, infecções virais, lesões, entre outras causas.

  • Deficiência visual

As pessoas com deficiência visual são aquelas que apresentam problemas que dificultam a visualização de objetos. É considerado deficiente visual aquele que é cego ou apresenta uma baixa visão. 

  • Deficiência intelectual 

São pessoas com limitações significativas no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, que aparecem nas habilidades conceituais, sociais e práticas, antes dos 18 anos. 

  • Deficiência múltipla

A deficiência múltipla é a ocorrência de duas ou mais deficiências simultaneamente – sejam deficiências intelectuais, físicas ou ambas combinadas. 

Inclusão Social

Apesar dos diferentes tipos de deficiência, certas limitações podem comprometer a qualidade de vida do indivíduo, por isso é excepcionalmente necessário o desenvolvimento de medidas de inclusão.

Danilo Beltrão, de 36 anos, é morador de Suzano e possui uma deficiência visual congênita. Segundo ele, ao longo do tempo vem sofrendo uma perda progressiva da visão e atualmente enxerga uma média de 5%. 

Ainda que tenha apenas uma parcela visual, Danilo acredita que a falta de acessibilidade para pessoas com deficiência ainda é um grande problema.  “A acessibilidade precisa ser ampla e não apenas restringir a mobilidade ou a leitura e escrita. A acessibilidade, deve ser concebida dentro de uma visão globalizada, entendendo que as pessoas com deficiência não só querem o direito de ir e vir, mas o direito de ser, estar e participar de forma plena e igualitária das demais atividades que são ofertadas para o público “sem deficiência“, aponta.

Além da falta de acessibilidade, Danilo ressalta dois tipos de estereótipos divergentes, decorrentes do preconceito, o do “coitado” e o do “super-herói”.
“As pessoas normalmente quando se deparam com uma pessoa com deficiência visual, ou até outras deficiências também, querem inferiorizar e tratar a pessoa como vítima ou por outro lado querem exaltar a pessoa com deficiência como se ela fosse um super-herói que vence barreiras todos os dias, mas ter uma deficiência é apenas uma característica de um indivíduo, ou seja, apesar de não enxergar consigo trabalhar, cuidar da minha família, me divertir e fazer tudo que alguém que tem a visão plena também faria”, disse.

Outra grande dificuldade enfrentada pelo público PCD é a de serem vistas como qualquer pessoa. Quando questionado sobre o que a sociedade poderia mudar para que a pessoa com deficiência consiga exercer seus direitos, Danilo falou sobre ser encarado com total normalidade. 

“Acredito que a sociedade necessite encarar a pessoa com deficiência com normalidade, pois todos nós somos diferentes, então, tudo o que as pessoas com deficiência querem é que sejam tratadas como pessoas, não destacando somente sua deficiência, mas entendendo que antes de possuir uma deficiência, somos sujeitos de direitos e dotados de capacidade para contribuir de forma plena e relevante para a sociedade em que vivemos”, disse. 

Capacitismo e preconceito 

O capacitismo é a ideia de que pessoas com deficiência são inferiores àquelas sem deficiência, sendo tratadas como anormais ou incapazes. É qualquer tipo de atitude, termos ou expressões pejorativas contra pessoas com deficiência. 

Um exemplo do capacitismo é a Whitney Fontinelly, de 30 anos, também moradora de Suzano, que nasceu surda e diz que desde a infância sofre diversos preconceitos relacionados ao capacitismo e além deles, também estão na lista o racismo, a homofobia e a transfobia. 

“Sofro preconceito desde criança, por ser surda, preta e periférica. Quando criança era gay, depois na adolescência travesti e agora mulher transsexual. Eu chorava, sofria e me chamavam de mudinho e este termo é incorreto e ofensivo”, explica Whitney.

Para ela, se tratando de acessibilidade, antes de mais nada, é necessário entender que não se trata somente de uma barreira física. Existem diversas questões que devem ser prioridade, entre elas a informação. 

A sociedade deveria estudar e ter empatia, qualquer pessoa pode adquirir uma deficiência por doença ou acidente. Às vezes quando fico doente e preciso ir ao hospital, não consigo ser compreendida, já briguei com atendente e médico por causa da dificuldade na comunicação, parece que as pessoas têm medo de surdos”, fala. 

Claudia Oliveira, graduanda em Pedagogia e Letras Libras, diz que assim como a empatia e a acessibilidade, a comunicação através da Língua de Sinais (Libras) é extremamente necessária para a melhor compreensão entre o público surdo.
“As pessoas deveriam estudar, se informar, ter empatia e respeitar as pessoas e seus direitos. Temos a Lei brasileira de inclusão e precisamos praticar para garantir o direito da pessoa com deficiência. Como profissional da Libras eu gostaria que todas as pessoas surdas fossem respeitadas e eu que a sociedade melhore, evolua, respeite e principalmente busque conhecimento para não cometer erros e excluir a pessoa com deficiência”, manifestou.

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