Praça dos Três Poderes, em Brasília, amanhece destruída após invasão e depredação

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Neste domingo (08), o Brasil presenciou a destruição e o caos invadindo a capital nacional na tentativa fracassada de um ataque à democracia. Diversos grupos de bolsonaristas radicais invadiram a Esplanada e depredaram os prédios dos três poderes (Palácio do Planalto, Supremo Tribunal Federal e Congresso Nacional), em Brasília.

A Praça dos Três Poderes amanheceu em caos, com diversas cadeiras que foram arremessadas das janelas quebradas. Um brasão da República também foi destruído e jogado junto a uma cadeira de um dos ministros do Supremo Tribunal Federal. O prédio deste poder, inclusive, foi um dos mais depredados, com até as portas dos armários dos ministros sendo arrancadas.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O que começou como um protesto logo se tornou uma invasão que começou por volta das 15 horas. Milhares de bolsonaristas radicais passaram facilmente por uma barreira montada por um pequeno efetivo policial, que demorou a fazer esforços para impedir o avanços dos terroristas.

Rapidamente o prédio do Congresso Nacional estava lotado de pessoas vestidas de verde e amarelo e a partir daí se iniciou a destruição. Janelas quebradas, cadeiras arremessadas, documentos rasgados, obras de artes furadas, tudo isso registrado pelos próprios manifestantes que muitas vezes celebravam os atos. Muitos policiais que faziam a segurança da sede do Poder Legislativo foram agredidos.

Foto: Bruno Góes/Agência O Globo

Logo depois, um outro grupo se dirigiu ao Palácio do Planalto, local onde o presidente da República e diversos ministros são despachados. Apesar de mais uma barreira policial tentar impedir o avanço, os extremistas eram muitos e invasão foi questão de tempo. No Planalto, a parede que guarda as fotos dos presidentes da República foi totalmente destruída e as fotos de muitos rasgadas. Alguns manifestantes ergueram a foto do ex-presidente Jair Bolsonaro e posaram ao lado dela, chamando-o de “herói”. Diversas salas foram arrombadas e uma mesa de vidro também foi quebrada.

O prédio mais depredado foi o do Supremo Tribunal Federal (STF). Principal alvo dos ataques antidemocráticos, o plenário ficou completamente destruído. Os terroristas quebraram vidros da fachada do local, além de terem quebrado cadeiras, mesas e até obras de artes. Até mesmo a porta do armário onde fica guardada a toga do ministro Alexandre de Moraes foi arrancada.

Foto: Reprodução/CNN Brasil

Grande parte dos manifestantes pedia intervenção militar e golpe de estado, além de manifestar apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas eleições de 2022 e pedindo a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro da Justiça, Flavio Dino, autorizou o uso da Força Nacional com o objetivo de reprimir os atos golpistas. Ele acusou o governo do Distrito Federal de ser conivente com os atos que culminaram na destruição dos prédios da República. Em meio ao caos, o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, também ex-ministro da Justiça no Governo Bolsonaro, estava de férias nos Estados Unidos e diversas garantiu ao governador Ibaneis Rocha que todo o protesto seria realizado de maneira ordeira e havia combinado uma entrada pacífica na Esplanada.

Em meio aos atos, o secretário foi exonerado de seu cargo. A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu a prisão em flagrante do ex-secretário.

Após as Forças Armadas intervirem nos protestos, diversos manifestantes terroristas foram presos. O número, porém, ainda é incerto. O governador Ibaneis Rocha disse que foram 400 presos. A Polícia Civil do Distrito Federal, no entanto, disse que foram 300 presos. Enquanto o ministro da Justiça mencionou pouco mais de 200 presos.

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Obras e artefatos históricos destruídos

Os manifestantes golpistas destruíram diversos artefatos históricos durante a invasão e obras de arte que enfeitavam os prédios dos Três Poderes. No STF, uma réplica da Constituição de 1988 foi tirada de seu local e danificada e o brasão da República que enfeita o plenário da Suprema corte também foi retirado e usado pelos golpistas como troféu. Na Câmara dos Deputados, a escultura ‘Bailarina’ (1920), de Victor Brecheret, desapareceu e a suspeita é que tenha sido furtada pelos manifestantes.

No Palácio do Planalto, uma pintura do modernista Di Cavalcanti foi perfurado diversas vezes pelos golpistas. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) também foi invadido e várias armas letais e não letais foram furtadas.

Foto: Reprodução

Intervenção Federal

Após os atos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou uma intervenção federal no Distrito Federal até 31 de janeiro. Ele estava em Araraquara, no interior de São Paulo, para avaliar os estragos feitos pelas enchentes recentes.

Com a medida, o comando da segurança pública do distrito passa a ser do Governo Federal e não mais do Estadual. Agora, agentes de segurança como policiais e bombeiros respondem diretamente ao Ministério da Justiça.

Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

Ex-presidente se manifesta

O ex-presidente Jair Bolsonaro usou suas redes sociais para se manifestar após ser acusado de ter incentivado os atos. Ele disse que “manifestações pacíficas […] fazem parte da democracia”, mas que os atos como os ocorridos neste domingo “fogem à regra”.

Ele também aproveitou para criticar o presidente Lula ao dizer que este o acusa sem provas de incentivar o atos terroristas ocorridos em Brasília. “Ao longo do meu mandato, sempre estive dentro das quatro linhas da Constituição respeitando e defendendo as leis, a democracia, a transparência e a nossa sagrada liberdade. No mais, repudio as acusações, sem provas, a mim atribuídas por parte do atual chefe do executivo do Brasil”.

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