A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta segunda-feira (09), a Operação “Apertem os Cintos”, voltada ao desmantelamento de uma organização criminosa envolvida na exploração sexual de crianças e adolescentes. A ação é conduzida pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, vinculada ao DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa).
Até o momento, três pessoas foram presas. Entre elas, está um piloto de avião de 60 anos, morador de Guararema, apontado pelas investigações como líder do esquema criminoso. Ele foi detido dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, na capital paulista. Também foi presa uma idosa, residente no mesmo município, avó de três das vítimas, acusada de “vender” as netas para serem abusadas sexualmente.
A mãe das crianças foi presa em flagrante por armazenar e compartilhar material pornográfico envolvendo menores.
De acordo com a Polícia Civil, o piloto pagava valores entre R$ 50 e R$ 100 por imagens de pornografia infantil e também praticava abusos sexuais contra as vítimas, que tinham 10, 12 e 14 anos à época dos crimes. As investigações indicam que a mãe das crianças tinha conhecimento dos abusos, fato corroborado por provas encontradas em sua residência.
O piloto e a avó tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça. Já a mãe foi autuada em flagrante. Segundo a delegada Ivalda Aleixo, chefe do DHPP, o material apreendido reforça a gravidade dos crimes e a participação ativa dos investigados.
As diligências cumpriram oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados, além de dois mandados de prisão temporária, em endereços da capital paulista e de Guararema, no Alto Tietê. Ao todo, 32 policiais civis e 14 viaturas participaram da operação.
O inquérito policial teve início em outubro de 2025. Desde então, ao menos 10 vítimas foram identificadas. No começo das investigações, três crianças de 11, 12 e 15 anos já haviam sido reconhecidas como vítimas diretas, todas submetidas a situações consideradas graves de abuso e exploração sexual.
As provas reunidas apontam para a existência de uma estrutura criminosa organizada, com divisão de funções, atuação coordenada e prática reiterada dos crimes. Entre os delitos investigados estão estupro de vulnerável, estupro, favorecimento da prostituição e da exploração sexual de criança e adolescente, produção, armazenamento e compartilhamento de pornografia infantojuvenil, aliciamento de menores, perseguição reiterada, uso de documento falso e coação no curso do processo.
O secretário de Segurança Pública, Nico Gonçalves, destacou a gravidade do material analisado e elogiou o trabalho da equipe policial. Já o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, ressaltou que se trata de um caso de extrema gravidade, cuja apuração culminou na deflagração da operação e nas prisões realizadas.
Segundo a Polícia Civil, a Operação “Apertem os Cintos” visa interromper imediatamente a atuação criminosa, garantir a proteção física e psicológica das vítimas, identificar outros envolvidos e localizar possíveis novas vítimas, além de preservar provas, especialmente as digitais.
As investigações continuam, com a análise de celulares e outros dispositivos eletrônicos, e novas prisões não estão descartadas.




























