A partir desta semana, a folia está garantida em todo o Brasil com a chegada do Carnaval. Quando pensamos nessa data, logo vêm à mente os desfiles das escolas de samba, os blocos de rua, as fantasias e a música animada. Para o cinema, porém, o Carnaval é mais do que cenário: transforma-se em narrativa, símbolo cultural e ferramenta para contar histórias que atravessam gerações.
Pensando nisso, a repórter Isabella Oliva, do portal Hoje Diário, separou cinco filmes que utilizaram o Carnaval como elemento central para construir suas produções audiovisuais.
Orfeu Negro (1959) — também conhecido como Orfeu do Carnaval
Um dos filmes mais emblemáticos sobre o tema é Orfeu Negro, conhecido no Brasil também como Orfeu do Carnaval. Dirigido pelo francês Marcel Camus, o longa-metragem adapta o mito grego de Orfeu e Eurídice para o Rio de Janeiro durante o Carnaval.
Apesar de ter sido dirigido por um cineasta francês, o elenco é majoritariamente brasileiro, e a trilha sonora, com músicas de Tom Jobim e Luiz Bonfá, ajudou a consolidar a Bossa Nova internacionalmente.
O filme conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1960, projetando o Carnaval brasileiro para o mundo.
Ó Paí, Ó (2007)
Diferentemente do olhar mais poético de Orfeu Negro, o filme Ó Paí, Ó, dirigido por Monique Gardenberg, apresenta o Carnaval como parte da vida cotidiana no Pelourinho, em Salvador.
Estrelado por Lázaro Ramos, a trama acompanha os moradores de um cortiço durante a semana da festa. Entre conflitos, romances, música e humor, o filme retrata o Carnaval como expressão da cultura popular, da religiosidade, da desigualdade social e da resistência.
Rio (2011)
Lançado em 2011, Rio levou o Carnaval carioca ao público infantil e internacional. A animação conta a história de Blu, uma arara-azul domesticada que acaba parando no Rio de Janeiro e se envolve em uma grande aventura durante a festa.
Apesar de ser ambientado no Brasil e dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha, Rio é uma produção norte-americana dos estúdios Blue Sky Studios e 20th Century Fox. O sucesso foi tão grande que ganhou continuação, Rio 2, em 2014.
Fevereiros (2017)
Se na ficção o Carnaval já é intenso, no documentário ele se mostra ainda mais profundo. Fevereiros, dirigido por Marcio Debellian, acompanha os bastidores do desfile da Estação Primeira de Mangueira em homenagem à cantora de MPB (Música Popular Brasileira) Maria Bethânia.
O filme mostra ensaios, a construção de alegorias, reuniões e a emoção da comunidade envolvida na preparação do desfile. Mais do que a apresentação na avenida, o documentário revela um olhar íntimo sobre a força social e simbólica da festa.
O Agente Secreto (2025)
Em produções mais recentes, o filme brasileiro indicado ao Oscar 2026, O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, passa-se em Recife durante o Carnaval de 1977.
A trama mistura suspense e contexto político, utilizando a festa como pano de fundo para uma narrativa marcada por tensão e conflitos. O contraste entre a celebração popular e o clima político da época reforça o papel do Carnaval como símbolo de liberdade, mesmo em tempos difíceis.
O impacto cultural foi tão forte que o filme se tornou tema da folia em Pernambuco neste ano, demonstrando como o cinema também pode influenciar a própria festa. A obra teve amplo reconhecimento internacional, vencendo os prêmios de Melhor Diretor, para Kleber Mendonça Filho, e Melhor Ator, para Wagner Moura, no Festival de Cannes 2025, além dos prêmios FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema) e Prix des Cinémas d’Art et d’Essai no mesmo evento. Também conquistou prêmios da crítica em festivais como o Critics Choice Awards 2026 e o Key West Film Festival, além de receber diversas indicações em premiações importantes, incluindo três indicações ao Globo de Ouro e quatro indicações ao Oscar 2026.
Por fim, do clássico premiado internacionalmente à animação que conquistou o mundo, passando por documentários e produções contemporâneas, o Carnaval continua sendo fonte de inspiração para o cinema.
Isso evidencia algo importante: o Carnaval não é apenas uma data no calendário. É história, cultura e narrativa viva, dentro e fora das telas.




















