“O poder da perseverança”, por Padre Claudio Taciano

A maturidade espiritual e humana não advém do conhecimento, nem das nobres funções assumidas, nem da vocação decidida e, muito menos, das conquistas materiais e profissionais. Ela é construída e estabelecida ao longo da vida. E a vida, por sua vez, com seus próprios reveses e contradições, comprime e reformula as fábulas ingênuas que florescem no solo inocente da primeira fase da existência humana. Amadurecer dói, pois leva a pessoa à face oculta e escura da sua própria existência. É um encontro com tudo o que é novo e velho, presente e ausente, nela e fora dela.

As provações parecem tirar do ser humano a lucidez original e a força. Mas toda essa experiência amarga devolve a pessoa humana ao mundo, à altura dos desafios e problemas existentes. Não vivemos nem convivemos em ambientes perfeitos, mesmo porque o ser humano é imperfeito e inconstante. Suportar as dificuldades com hombridade é dificílimo, mas lapida o caráter e fortalece o espírito. Como disse Santo Agostinho, no quarto século da era cristã: “Deus teve um filho sem pecado na Terra, mas nunca sem sofrimento.”

A dureza da vida, longe de nos desestimular, deve nos impulsionar e abrir nosso coração ao que realmente importa. Sem essa hábil inclinação e escolha, poderemos construir castelos, mas nunca serão lares; poderemos ocupar grandes cargos, mas nunca serão inspiradores e portadores de justiça e paz. A imaturidade corrige a superficialidade e se incomoda com o que é aparente, mas quase nunca com a verdade e a profundidade das situações. A força e a resiliência irrompem da dureza do cotidiano, das batalhas ocultas e da serenidade da alma. Desta forma, sem alarde, rezemos, amemos e nos preparemos para as batalhas da vida, sem perdermos a doçura e a ternura. Deus nos abençoe!

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal HojeDiario.com).

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