Um ano após morte de passageiro na Linha 5-Lilás, em São Paulo, segurança em outras linhas do Metrô ainda gera questionamentos

Nesta quarta-feira (06), completa um ano da morte de Lourivaldo Ferreira Silva Nepomuceno, de 35 anos, na estação Campo Limpo da Linha 5-Lilás, em São Paulo. O caso ainda provoca reflexões sobre segurança no transporte público e sobre a forma como tragédias acabam sendo absorvidas pela rotina da cidade.
O portal Hoje Diário relembra o caso e busca respostas sobre as mudanças prometidas após o acidente. O passageiro morreu após ficar preso entre a porta do trem e a porta da plataforma. Segundo testemunhas, ele acabou sendo arrastado após o fechamento das portas.

Para recordar o caso, a CEO e colunista do Grupo Hoje de Comunicação, Neusa Freitas, relembrou o caso em uma coluna publicada no último domingo (03), intitulada “O dia em que seguimos como se nada tivesse acontecido”. No texto, ela faz uma reflexão sobre a rapidez com que tragédias são esquecidas no cotidiano das grandes cidades e questiona se mudanças concretas realmente ocorreram após a tragédia.

Com isto, a reportagem questionou a ViaMobilidade – responsável pela linha, que informou que concluiu, em agosto de 2025, a instalação de 3.500 dispositivos conhecidos como “Gap Fillers” nas 17 estações da Linha 5-Lilás.
Segundo a concessionária, as estruturas reduzem o espaço entre o trem e a plataforma, impedindo o fechamento das portas em caso de presença de passageiros no vão.
A empresa também afirmou que reforçou avisos sonoros, realizou ajustes nos sinais de abertura e fechamento das portas e implantou novas sinalizações de alerta nas plataformas. De acordo com a concessionária, não houve novos casos semelhantes registrados após as mudanças.

O portal Hoje Diário questionou o Metrô de São Paulo sobre a autorização para instalação desses dispositivos em todas as linhas, incluindo as operadas por concessionárias, já que a própria companhia admitiu anteriormente que houve impedimentos burocráticos para implementação inicial das estruturas na Linha 5-Lilás, que resultou no acidente fatal.

A reportagem também perguntou quais linhas já receberam autorização para adequação e quais ainda aguardam implementação dos sistemas de proteção. Confira abaixo a nota na íntegra:
“O Metrô lamenta o acidente ocorrido há um ano na estação Campo Limpo, da Linha 5-Lilás. Desde então, as medidas de segurança foram reforçadas, com sensores de presença em todas as portas de plataforma já implantadas no sistema – as linhas de monotrilho 15-Pratae 17-Ouro já foram projetadas para que não haja vão entre o trem e os equipamentos.
A instalação de portas de plataforma está sendo ampliada em todo o sistema e, nas estações Sé e República, as obras devem ser concluídas neste primeiro semestre. As estações Anhangabaú e Brás serão as próximas a receber os equipamentos e respectivos dispositivos de segurança. A sindicância instaurada pelo Metrô foi concluída, e as medidas administrativas necessárias para a melhoria dos processos foram adotadas. O inquérito policial foi arquivado a pedido do Ministério Público, com a concordância da Justiça de São Paulo, sem apontamento de responsabilização”, finalizou.

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