Todos os anos, quando chega a campanha de vacinação contra a gripe, surge a mesma pergunta: “Doutor, eu tomei a vacina e mesmo assim fiquei gripado. Então a vacina não funciona?”. A resposta é simples: a vacina funciona, mas talvez não da forma como muitas pessoas imaginam.
Primeiro, é importante entender que a vacina da gripe não tem como objetivo impedir 100% dos casos de infecção. O principal objetivo é reduzir significativamente as formas graves da doença, as internações e o risco de morte.
Imagine a vacina como um cinto de segurança. Usar o cinto não impede que um acidente aconteça, mas aumenta muito as chances de você sair bem dele. Com a vacina da gripe ocorre algo parecido. Outro ponto importante é que existem centenas de vírus respiratórios circulando ao mesmo tempo. Muitas pessoas chamam qualquer resfriado ou infecção respiratória de “gripe”, mas nem sempre é realmente influenza.
Rinovírus, adenovírus, vírus sincicial respiratório (VSR), coronavírus e diversos outros agentes podem causar sintomas semelhantes, como coriza, tosse, dor de garganta e febre. Nesses casos, a vacina contra influenza não teria como oferecer proteção.
Além disso, o vírus da gripe sofre mutações frequentes. Por isso, a composição da vacina é atualizada todos os anos com base nas cepas que os especialistas acreditam que circularão com maior intensidade naquela temporada. Embora essa previsão seja bastante precisa, nem sempre há correspondência perfeita entre os vírus da vacina e os vírus que acabam predominando.
Também é preciso lembrar que a imunidade não surge imediatamente após a aplicação. Em geral, o organismo leva cerca de duas semanas para desenvolver proteção adequada. Pessoas infectadas poucos dias antes ou logo após a vacinação podem apresentar a doença normalmente.
Mesmo quando uma pessoa vacinada contrai influenza, os estudos mostram que a infecção tende a ser mais leve. Há menor risco de pneumonia, insuficiência respiratória, hospitalização e complicações cardiovasculares, especialmente entre idosos, gestantes, crianças pequenas e pacientes com doenças crônicas.
Em outras palavras: tomar a vacina não significa que você nunca mais terá gripe. Significa que seu organismo estará muito mais preparado para enfrentá-la.
Por isso, a pergunta correta talvez não seja “Por que fiquei gripado mesmo vacinado?”, mas sim: “Como eu teria ficado se não estivesse vacinado?”. A resposta, em muitos casos, pode representar a diferença entre alguns dias de desconforto em casa e uma internação hospitalar. Neste inverno, a vacinação continua sendo uma das medidas mais eficazes para proteger a saúde individual e coletiva. Afinal, prevenir ainda é muito melhor do que remediar.
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).







