O documentário “Pare de Nos Matar!” estreia neste sábado (22), às 17h45, na Zona Leste da cidade de São Paulo. Com entrada gratuita, a produção tem como objetivo dar visibilidade às histórias de mulheres vítimas de feminicídio e às famílias que seguem enfrentando a dor, a busca por justiça e as consequências da violência de gênero. A produção independente é assinada pela jornalista suzanense Ruth dos Santos e reúne depoimentos de familiares de vítimas e especialistas no tema.
Entre as personagens do documentário estão Lúcia Aparecida da Silva, mãe de Tainara Souza, jovem que morreu após ser arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê, em São Paulo, e Maria Aparecida Silva, mãe de Isabelly Joana Silva de Santana, de 20 anos, assassinada pelo ex-namorado em Suzano, em maio de 2025.
Por meio dos relatos, a produção aborda os impactos do feminicídio sobre os familiares das vítimas e destaca a importância da prevenção, do acolhimento e da responsabilização dos autores dos crimes. O documentário também conta com a participação da historiadora Íris Vitorino e da atriz Rachel Ripani, cofundadora do movimento Levante Mulheres Vivas. As duas contribuem com reflexões sobre memória, direitos das mulheres, mobilização social e enfrentamento à violência de gênero.
A estreia de “Pare de Nos Matar!” será realizada na rua Domenico Melli, número 434, em Artur Alvim, na Zona Leste de São Paulo.
Caso Isabelly Joana
Isabelly Joana Silva de Santana, de Suzano, tinha 20 anos e cursava o quinto semestre de Medicina Veterinária em uma universidade de Mogi das Cruzes. Ela também atuava como estagiária na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Proteção Animal da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos.
A jovem foi assassinada em 15 de maio de 2025, no bairro Vila Urupês, em Suzano. Segundo as informações do caso, Isabelly retornava de uma aula de pilates quando foi atacada pelo ex-namorado, Yan Oliveira França, então com 19 anos.
A vítima foi encontrada gravemente ferida na rua Biotônico, após ser atingida por um golpe de faca. Moradores acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), e Isabelly foi encaminhada ao Hospital e Maternidade de Suzano (HMS), mas não resistiu aos ferimentos.
O indivíduo foi localizado pela Polícia Militar minutos depois, nas proximidades do local do crime. De acordo com os policiais, ela estava com as mãos sujas de sangue no momento da abordagem. O caso foi registrado como feminicídio.
Em 26 de março de 2026, Yan Oliveira França foi condenado a 33 anos e 4 meses de prisão pela morte de Isabelly, após ser julgado pelo Tribunal do Júri, no Fórum de Suzano.
Durante o julgamento, familiares, amigos e apoiadores da jovem se concentraram em frente ao Fórum e realizaram uma manifestação pedindo justiça. Para a família, a condenação representou não apenas a responsabilização pelo crime, mas também uma forma de preservar a memória de Isabelly e reforçar que sua história não deve ser reduzida às estatísticas de violência contra a mulher.




