Na Missa do domingo passado, o Evangelho proclamado foi o de Mateus 18,21-35, cujo tema central é o perdão. Nesse texto, o que chama a atenção é a resposta de Jesus diante da pergunta do discípulo primaz: “Então Pedro se aproximou dele e disse: Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” (vv. 21,22).
A resposta de Jesus indica que se deve perdoar sempre. Esse importante tema transcende os muros e as fronteiras da religião para “pousar” na espinhosa e, ao mesmo tempo, gratificante experiência humana, especificamente no que diz respeito às nossas relações interpessoais.
Quem nunca ofendeu ou foi ofendido? Quem nunca foi enganado ou injustiçado? Muitas experiências amargas e dolorosas são constantemente vividas por nós. Ora somos vítimas, ora responsáveis. Independentemente do lado em que estejamos, a humildade é fundamental para a retomada e a superação dos traumas e conflitos que surgem.
Sem humildade e sem amor, sem fé e sabedoria, o luto chega antes da morte. Quantos problemas poderiam ter sido evitados, mas se avolumaram por falta de um bom diálogo ou de um simples respirar fundo?
Bem sabemos que há erros, injustiças e decepções de todo tipo e ordem que perpassam a história de cada um de nós, desde a infância, passando pela juventude, até a fase adulta. Situações graves e traumatizantes que transformaram inocência em sofrimento e dor, sonho em pesadelo, esperança em angústia.
Se há um caminho capaz de distensionar a vida, esse caminho é o amor e a fé. A revolta e o ódio comprimem e endurecem o coração, tornam turvas a visão e a percepção.
Perdoar é difícil, doloroso e, muitas vezes, sacrificante, mas traz alívio e segurança; ou seja, liberta! Sai mais barato perdoar e relevar. Nada se resolve no ódio e na ira e, quando se tenta resolver dessa maneira, o problema acaba sendo maior que a solução.
Sozinho, ninguém consegue desatar todos os nós que a vida e as circunstâncias nos impõem. Por isso, o auxílio de Deus e as experiências de convivência positivas favorecem não somente o equilíbrio, mas também a boa vontade e as boas atitudes.
Enquanto uns lutam pela vida e pela sobrevivência, outros usam sua saúde e sua força para oprimir, agredir e matar. Utilizemos, então, nossa energia a favor de nós e dos outros, e não contra nós mesmos e contra os outros.
Em suma, além de sair mais barato perdoar, é preciso lembrar e ressaltar: perdoar não é forçar amizade, intimidade ou familiaridade. Muito menos fingir que o mal não existe, a ponto de transformar injustiça em justiça. Perdoar é não permitir que o mal corroa aquilo que ainda existe de bom dentro do coração humano, cresça dentro dele e, por fim, o domine.
“Nisso todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” (Jo 13,35)
“Senhor Jesus, eu Vos peço hoje a graça de perdoar. Tira do meu coração todo ressentimento, mágoa ou desejo de justiça própria. Dai-me um coração manso e misericordioso, capaz de olhar os outros com o Vosso amor. Perdoai também as minhas ofensas, assim como perdoo a quem me tem ofendido, para que eu possa viver em paz na Vossa graça. Amém.”
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com)



