“O espelho mágico”, por Luci Bonini

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Era uma vez um país inteiro que vivia dentro de uma caverna…

Um dia, uma moça, ainda jovem, resolveu sair da caverna. Saiu, viu o mundo lá fora e entendeu que havia muito mais no mundo do que se comentava dentro da caverna. Viu perigos e belezas indescritíveis… Entusiasmada, afastou-se mais do que devia e resolveu voltar, pensando na beleza e nas ameaças que vira.

No caminho de volta, encontrou um espelho. Achou-o bonito, porque apresentava imagens em movimento. Parecia que o espelho era uma porta para outras realidades.

Encantada com o que havia encontrado, voltou para seu país… Chegando lá, narrou sua trajetória e, claro, acabou sendo processada, mesmo tendo falado das belezas e das ameaças para além da caverna. Quando mostrou seu espelho, então, os governantes acharam que aquilo era uma ameaça à tranquilidade da população.

Os governantes se reuniram e discutiram o que seria feito com aquele espelho, pois todos os que ali apareciam afirmavam, com segurança, que diziam a verdade. Eles viam guerras, bombardeios, assassinatos em massa, crianças sendo vítimas de todos os tipos de violência. Viram também muitos seres que apresentavam as verdadeiras soluções para os problemas, mas ninguém os ouvia…

Alguns desses profetas afirmavam e reafirmavam que suas soluções trariam a felicidade de todos os que viviam naquele país, que nem eles próprios sabiam se existia ou não…

Diante do assombroso achado, os governantes chamaram os sábios para decidir se o espelho era mágico, se aquilo que mostrava era verdade e o que deveriam fazer com o objeto.

Os sábios, então, começaram a observar a quantidade de pessoas que anunciavam solenemente: “Agora vou revelar a verdade!” A frase aparecia nos espelhos, vinda de diferentes pessoas e comunidades.

Os sábios da caverna, então, discutiram, discutiram e chegaram a uma conclusão: se tantos se diziam portadores da verdade, por que aquele país era palco de tanta crueldade?

Ao concluírem suas análises, apresentaram seu veredicto aos governantes:

— Destruam essa porcaria! Este equipamento só traz ilusões! Proíbam qualquer um dos nossos cidadãos de sair da caverna. Aqui temos paz, e nossa verdade será eterna.

E assim foi… Os governantes enterraram o espelho nas profundezas da caverna, e ninguém mais falou sobre isso, até que, um dia, aquela moça que havia encontrado o espelho resolveu fugir para nunca mais voltar.

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).

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